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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

João José Reis - A Morte É Uma Festa














Em 1836, uma multidão destruiu o cemitério do Campo Santo em Salvador. Inaugurado três dias antes, ele fora construído por uma empresa que obtivera do governo o monopólio dos enterros na cidade. Até aquela data, as pessoas eram enterradas nas igrejas, costume considerado essencial para a salvação das almas. A revolta contra o cemitério foi feita por centenas de manifestantes em defesa de uma vida melhor no outro mundo. Para entender tão extraordinário episódio - que ficou conhecido como revolta da Cemiterada - o historiador João José Reis realizou uma primorosa pesquisa, que revela, com riqueza de detalhes e acurada sensibilidade intelectual, as atitudes de nossos antepassados em relação à morte a aos mortos.

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João José Reis (Org.) - Escravidão E Invenção Da Liberdade
















Reúne professores e alunos que desenvolvem pesquisa na área de história dos negros e dos povos indígenas no Brasil, sob a escravidão e outras formas de subalternidade, do período colonial ao republicano. Os interesses são variados, cobrindo questões referentes, por um lado, aos mecanismos de dominação, políticas de controle, comércio e exploração da força de trabalho e, por outro lado, à constituição de negros e índios enquanto sujeitos históricos, suas redes de sociabilidade, dinâmica cultural, visão de mundo, estratégias de sobrevivência, negociação e resistência na cidade, no campo e nas matas.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

João José Reis - Rebelião Escrava No Brasil: A História Do Levante Dos Malês Em 1835
















Na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, em Salvador, enquanto os católicos comemoravam, na igreja do Bonfim, a festa de Nossa Senhora da Guia, negros africanos celebravam o Ramadã em suas senzalas. A celebração evoluiu para uma revolta, da qual não participaram exclusivamente muçulmanos, mas que foi por eles concebida e liderada. O levante envolveu cerca de seiscentas pessoas, o equivalente a 20 mil pessoas na Salvador de hoje. A revolta terminou com muitos feridos, centenas de presos, além de mais de setenta rebeldes e dez de seus adversários mortos. A maioria dos rebelados era de membros da nação nagô, em cuja língua, o iorubá, muçulmano é imale. Daí malês, o vocábulo iorubá aportuguesado. Os objetivos dos rebelados não foram totalmente esclarecidos: queriam o fim da escravidão dos africanos, mas não é certo que almejassem extinguir a escravidão como sistema de trabalho na sociedade brasileira. Há depoimentos que os acusam de terem planejado a escravização de mulatos e o massacre de brancos e negros nascidos na Europa e no Brasil. O autor discute a religião, os escritos, a dieta, o vestuário e as formas de organização dos malês. O livro analisa ainda o contexto histórico da rebelião: expõe as estruturas sociais e econômicas da época, a rebeldia dos homens livres, a série de revoltas escravas acontecidas na Bahia desde o início do século XIX e a natureza específica da escravidão urbana.

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João José Reis & Eduardo Silva - Negociação E Conflito: A Resistência Negra No Brasil Escravista














A historiografia brasileira por muito tempo encarou a escravidão de forma bastante rígida. O escravo foi visto alternadamente como herói ou vítima e, sempre, como objeto, fosse de seus senhores, de seus próprios impulsos ou mesmo da História que se propunha a estudá-lo. Negociação e conflito propõe uma nova e iluminadora abordagem do tema, resgatando as pequenas e grandes conquistas do dia-a-dia daqueles que, inversamente ao que até hoje se supôs, resistiam a se tornar meras engrenagens do sistema que os escravizara. Eduardo Silva e João José Reis mostram que, entre a passividade absoluta e a agressividade cega que os historiadores acostumaram-se a atribuir ao escravo, havia uma posição intermediária: a da negociação, a do compromisso com o sistema, a da engenhosidade no sentido de conquistar, em meio a todas as adversidades, um espaço onde se pudesse construir o próprio viver.

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

João José Reis - A Greve Negra De 1857 Na Bahia














Há 150 anos, as ruas de Salvador (BA) amanheceram em estranha calmaria. Não se via o tradicional vai-e-vem de gente e mercadorias. A cidade parou porque os homens negros entraram em greve. Entre eles não havia brancos nem mestiços, o trabalho era feito exclusivamente por negros - africanos e brasileiros. Eles ganhavam a vida transportando de tudo - gente, cartas, pacotes, caixas, tinas, tonéis etc -, e eram chamados de 'ganhadores'. A Câmara Municipal queria obrigá-los a tirar uma licença para fazer o serviço a um custo de dois mil réis. Também passaria a ser cobrado mais três mil réis para obtenção de uma chapa de metal que os trabalhadores deveriam usar no pescoço durante o serviço. O valor total era equivalente a 15 quilos de carne, quantia em nada desprezível até para os dias de hoje. Segundo o professor de História da UFBa, João José Reis, a fachada tributária na verdade escondia a intenção de disciplinar o negro no espaço público urbano, já que também se passava a exigir um fiador idôneo que ficaria responsável pelo seu comportamento. O trabalho dos ganhadores tinha um caráter anticapitalista. O ganhador organizava o seu tempo e ritmo de trabalho. Muitos preferiam não trabalhar a ter que carregar peso maior ao que consideravam lhes ser conveniente e, sempre que podiam, trabalhavam coletivamente. Os escravos tinham certa independência e liberdade para se movimentar pela cidade a trabalho e, não raro, moravam em casas ou quartos alugados. Em condições favoráveis de mercado, alguns conseguiam comprar sua liberdade com o fruto do trabalho.

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