Primeiro livro da trilogia As Areias do Imperador, Mulheres de cinzas
é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era
governado por Ngungunyane (ou Gungunhane, como ficou conhecido pelos
portugueses), o último dos líderes do Estado de Gaza - segundo maior
império no continente comandado por um africano. Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado
ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o
domínio colonial. Ali o militar encontra Imani, uma garota de quinze
anos que aprendeu a língua dos europeus e será sua intérprete. Ela
pertence à tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão
de Ngungunyane. Mas, enquanto um de seus irmãos lutava pela Coroa de
Portugal, o outro se unia ao exército dos guerreiros do imperador
africano. O envolvimento entre Germano e Imani passa a ser cada vez maior,
malgrado todas as diferenças entre seus mundos. Porém, ela sabe que num
país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é
passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas. Ao unir sua prosa lírica característica a uma extensa pesquisa
histórica, Mia Couto construiu um romance belo e vívido, narrado
alternadamente entre a voz da jovem africana e as cartas escritas pelo
sargento português.
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