Escritos em prosa inquieta e precisa, os textos de Beethoven era 1/16 negro
perfazem um conjunto que retrata a África do Sul em nova configuração
social. Filiação, cor da pele e origem étnica já não são tão
determinantes, mas continuam informando as identidades de indivíduos que
agora têm a chance de repensar o passado e intuir futuros incertos e
promissores. A nova configuração política do país faz negros, mulatos, imigrantes e
mulheres assumirem papéis proeminentes. Até os brancos precisam
reinventar uma identidade nesse país "como ele é agora". Ganham destaque
as personagens femininas, que guardam a chave de compreensão dos novos
tempos. São elas que parecem mover a atual dinâmica social sul-africana,
por meio do casamento e do divórcio, da gestação e do aborto, da
meditação sobre o passado e da inserção no mercado de trabalho. A literatura de Nadine Gordimer é um retrato ficcional do país nesse
momento de reinvenção de si mesmo. Como diz o narrador do conto que dá
nome a este livro, "houve um tempo em que negros queriam ser brancos,
hoje brancos querem ser negros; o segredo é o mesmo".
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