Há embutida nas obras de Aristóteles uma idéia medular, que escapou à
percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da
Antiguidade até hoje. Mesmo aqueles que a perceberam – e foram apenas
dois, que eu saiba, ao longo dos milênios – limitaram-se a anotá-la de
passagem, sem lhe atribuir explicitamente uma importância decisiva para a
compreensão da filosofia de Aristóteles.No entanto, ela é a chave mesma
dessa compreensão, se por compreensão se entende o ato de captar a
unidade do pensamento de um homem desde suas próprias intenções e
valores, em vez de julgá-lo de fora; ato que implica respeitar
cuidadosamente o inexpresso e o subentendido, em vez de sufocá-lo na
idolatria do “texto” coisificado, túmulo do pensamento. A essa idéia denomino Teoria dos Quatro Discursos. Pode ser resumida
em uma frase: o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de
quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a
analítica (lógica).

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