Ralph Singh, ex-ministro de uma ilha fictícia do Caribe, caído em
desgraça na política local, exilado em um subúrbio de Londres, escreve
suas memórias. Esse personagem central de Os mímicos assemelha-se de
alguma forma ao próprio Naipaul – hindu, nascido em Trinidad,
auto-exilado em Londres e, como Conrad, viajante contumaz. Assemelha-se
em seu desencanto em relação às sociedades “mal-acabadas” do Terceiro
Mundo e no humor ácido destilado sobre elas. Acusado de crueldade,
Naipaul responde: “Há todo um entulho missionário difundido por pessoas
que mentem, que não chamam um parasita de parasita, um bárbaro de
bárbaro, que dizem pobre canibal, ainda não comeu carne fresca hoje .”
“Por seu enorme talento, dificilmente pode haver um escritor vivo que
supere V. S. Naipaul. Tudo o que se espera de um romancista é encontrado
em seus livros… Naipaul vive na Inglaterra, mas ninguém pode
considerá-lo um inglês. Mas o que é ele, afinal? Eu diria: é o escritor
do mundo, um mestre da linguagem e da percepção, é a nossa amarga
bênção.”

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