Guerra, destruição, miséria,
sofrimento, humilhação, ódio, superstição, morte. Este é o cenário
dantesco, boscheano, que encontramos nas páginas deste romance. A
escritora consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos
degraus de degradação do ser humano. Paulina
Chiziane consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos
degraus de degradação do ser humano. Com ela percorremos as vinte e uma
noites de pesadelo e tormentos que foi o êxodo dos sobreviventes de uma
aldeia. "Se o homem é a imagem de
Deus, então Deus é um refugiado de guerra, magro e com o ventre farto de
fome. Deus tem este nosso aspecto nojento, tem a cor negra da lama e
não toma banho à semelhança de nós outros, condenados da terra. O Diabo,
sim, esse deve ser um janota que segura os freios da vida dos homens
que sucumbem."

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