Delfina é uma mulher bonita, "uma negra daquelas que os brancos gostam".
A história de vida desta Delfina, "dos contrates, dos conflitos, das
confusões e contradições", é a história da mulher africana, a história
da apocalíptica perda do sonho. Esta mulher debate-se entre "escolher o
caminho do sofrimento", o amor que sente por José dos Montes, e eliminar
a sua raça para ganhar a liberdade, procurando o homem branco que lhe
dará o alimento e o conforto que deseja. Mas o que é o amor para a
mulher negra? Na terra onde as mulheres se casam por encomenda na
adolescência? O problema arrasta-se ao longo do livro, aparentemente sem
solução: "viver em dois mundos é o mesmo que viver em dois corpos, não
se pode. Tu és negra, jamais serás branca". Mesmo assim a mulher negra "procura um filho mulato, para aliviar o negro da sua pele como quem
alivia as roupas de luto". O sufoco das palavras outrora silenciadas, a
valentia e a frontalidade gritam alto nos romances de Paulina Chiziane.
Neste diálogo consigo própria, a conhecida escritora moçambicana,
mistura imaginação, fantástico, misticismo, num retrato poderoso e
peculiar da sociedade e da mulher africanas.
Postagem em destaque
Estamos Em Uma "Casa" Nova
Convidamos todos os nossos visitantes a conhecerem a nova Biblioteca Virtual Livr'Andante ( www.livrandante.com.br ).
Mostrando postagens com marcador Paulina Chiziane. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulina Chiziane. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 12 de julho de 2016
Paulina Chiziane - Ventos Do Apocalipse
Guerra, destruição, miséria,
sofrimento, humilhação, ódio, superstição, morte. Este é o cenário
dantesco, boscheano, que encontramos nas páginas deste romance. A
escritora consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos
degraus de degradação do ser humano. Paulina
Chiziane consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos
degraus de degradação do ser humano. Com ela percorremos as vinte e uma
noites de pesadelo e tormentos que foi o êxodo dos sobreviventes de uma
aldeia. "Se o homem é a imagem de
Deus, então Deus é um refugiado de guerra, magro e com o ventre farto de
fome. Deus tem este nosso aspecto nojento, tem a cor negra da lama e
não toma banho à semelhança de nós outros, condenados da terra. O Diabo,
sim, esse deve ser um janota que segura os freios da vida dos homens
que sucumbem."
Assinar:
Postagens (Atom)

