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terça-feira, 12 de julho de 2016

Paulina Chiziane - O Alegre Canto Da Perdiz














Delfina é uma mulher bonita, "uma negra daquelas que os brancos gostam". A história de vida desta Delfina, "dos contrates, dos conflitos, das confusões e contradições", é a história da mulher africana, a história da apocalíptica perda do sonho. Esta mulher debate-se entre "escolher o caminho do sofrimento", o amor que sente por José dos Montes, e eliminar a sua raça para ganhar a liberdade, procurando o homem branco que lhe dará o alimento e o conforto que deseja. Mas o que é o amor para a mulher negra? Na terra onde as mulheres se casam por encomenda na adolescência? O problema arrasta-se ao longo do livro, aparentemente sem solução: "viver em dois mundos é o mesmo que viver em dois corpos, não se pode. Tu és negra, jamais serás branca". Mesmo assim a mulher negra "procura um filho mulato, para aliviar o negro da sua pele como quem alivia as roupas de luto". O sufoco das palavras outrora silenciadas, a valentia e a frontalidade gritam alto nos romances de Paulina Chiziane. Neste diálogo consigo própria, a conhecida escritora moçambicana, mistura imaginação, fantástico, misticismo, num retrato poderoso e peculiar da sociedade e da mulher africanas.

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Paulina Chiziane - Ventos Do Apocalipse














Guerra, destruição, miséria, sofrimento, humilhação, ódio, superstição, morte. Este é o cenário dantesco, boscheano, que encontramos nas páginas deste romance. A escritora consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos degraus de degradação do ser humano. Paulina Chiziane consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos degraus de degradação do ser humano. Com ela percorremos as vinte e uma noites de pesadelo e tormentos que foi o êxodo dos sobreviventes de uma aldeia. "Se o homem é a imagem de Deus, então Deus é um refugiado de guerra, magro e com o ventre farto de fome. Deus tem este nosso aspecto nojento, tem a cor negra da lama e não toma banho à semelhança de nós outros, condenados da terra. O Diabo, sim, esse deve ser um janota que segura os freios da vida dos homens que sucumbem."
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