O texto de Wanderson pergunta pelas palavras sussurradas entre
grunhidos, palavras ouvidas por um pescoço chupado, palavras
podres/grotescas... palavras do corpo de amante: pode ser uma empregada
doméstica, podia ser dona Flor. Que palavras são essas do universo que
se aproximam tanto do mais ordinário da vida? Rudes e podres não como
defeitos ou ausências, mas como excesso? Demasiada vida nada sublime. A
ideia clássica de sagrado como algo totalmente outro, faz da experiência
religiosa uma experiência de ruptura com o ordinário e cotidiano. A
experiência religiosa se caracterizaria pela instauração de uma ordem
inteiramente diferente das realidades naturais e por isso mesmo
“sublime”. Wanderson vai buscar na literatura, e em especial em Jorge
Amado, uma possibilidade de escapar do sublime fruto da redução teórica.
Ao escolher “qualquer podridão do universo” como lugar de sua pergunta
humana e teológica o autor faz a ruptura com as idealidades
fenomenológicas dos estudos da religião e suas sublimes quinquilharias e
vai entrar pela porta estreita das teologias do corpo, mas não por
qualquer porta e sim pela teologia da libertação porque é de corpos e
gemidos que se trata.
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