Em 2011, começando na Tunísia, manifestantes ocuparam as praças e ruas
do norte da África, do Oriente Médio, da Europa e da América do Norte.
Foi uma época vibrante, quando parecia despontar uma saída inédita ante a
crise do capitalismo global em curso. Movimentos em rede pelo mundo
antecipavam o que parecia ser uma ruptura no coração da economia e
política dominantes, construindo uma alternativa radical de recusa e
desejo, com o que resistiram, por muitos meses, à ofensiva policial, da
grande imprensa e mesmo da esquerda tradicional. Enquanto isso, no
Brasil, pipocaram algumas ocupas na casa das centenas de participantes, e
proliferaram marchas com uma cara diferente nas principais cidades. Em
vez de passeatas à francesa, com suas bandeiras, camisas uniformizadas e
carros-de-som com cúpulas, apareceu nas ruas uma composição
multicolorida e heterogênea.
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