No geral, os jovens nascidos a partir da década de 1990 têm pouca ou
nenhuma ideia do que foi a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS). Até a famosa “queda do muro de Berlim”, em 1989, o termo
“capitalismo” era acompanhado de artigo indefinido. Capitalismo era “um”
sistema, “uma” forma. Hoje existe “o” capitalismo. Não há mais nada no
discurso comum que a isso se contraponha – aos mais jovens restando
apenas a adaptação às regras do jogo do capital, rapidamente e sem
questionamentos. Este livro traz algumas reflexões, na forma de ensaio,
sobre a naturalização de mecanismos que consolidam essa ideologia da
adaptação como “via única”, por exemplo, a onipresente exigência de
“competitividade” ou a propaganda acrítica do “espírito empreendedor”.
Tais mecanismos, a despeito do seu verniz “modernizante”, carregam, como
diriam os frankfurtianos, elementos da barbárie, manifestados na
supervalorização do pensamento hierarquizado, das diferenças, da cultura
do vencedor – e, no outro lado óbvio da moeda, o desprezo aos
“derrotados”, os despossuídos, os “de fora”, que não pertencem à única
dimensão que parece contar: a do consumo.
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