Ópera dos Mortos é um dos romances que melhor espelha a temática e o
rigor formal de Autran Dourado. Lançado originalmente em 1967 e
incluído pela Unesco numa coleção das obras mais representativas da
literatura mundial, sua narrativa é um mergulho no passado da família
Honório Cota a partir de um velho sobrado que, em sua arquitetura
barroca, já corroída pelo tempo, vai revelando o destino de seus
moradores, marcados pela tragédia, numa cidadezinha no interior de Minas
Gerais. Com o correr dos anos, o casarão vai se impregnando cada vez mais dos
fantasmas dos antepassados, que transformam tudo, de objetos a
ambientes, em signos da morte. É neste ambiente opressivo e desolado que
Rosalina, filha única de Capistrano, vai viver depois da morte dos
pais. Solteira, isolada do mundo e tendo como única companhia a
empregada Quiquina, que é muda, ela passa seus dias fazendo flores de
pano e vagando entre relógios parados e paredes carcomidas. A rotina do sobrado vai ser alterada com a chegada de José Feliciano.
Biscateiro, em busca de trabalho de cidade em cidade, Juca Passarinho,
como é chamado por todos, vai aos poucos entrando no universo enigmático
da casa e, principalmente, na vida da austera Rosalina.

Nenhum comentário:
Postar um comentário