
Por que razão, nos dois últimos séculos, a epistemologia dominante
eliminou da reflexão epistemológica o contexto cultural e político da
produção e reprodução do conhecimento? Quais as consequências desta
descontextualização? São hoje possíveis outras epistemologias? Este livro
procura dar resposta a estas perguntas. Não se confirmando à mera
crítica, propõe uma alternativa, genericamente designada por
Epistemologias do Sul. Trata-se do conjunto de intervenções
epistemológicas que denunciam a supressão dos saberes levada a cabo, ao
longo dos últimos séculos, pela norma epistemológica dominante,
valorizam os saberes que resistiram com êxito e as reflexões que estes
têm produzido e investigam as condições de um diálogo horizontal entre
conhecimentos. A esse diálogo entre saberes chamamos ecologias de
saberes.
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