O relógio marcava pontualmente dez horas da manhã quando soaram as campainhas de abertura da sessão. Poucos senadores estavam fora de seus lugares, era evidente o ar de solenidade, apesar da tensão típica que precede as pautas polêmicas. A sessão havia sido cuidadosamente planejada: reunimos os tempos regimentais de discussão e encaminhamento, a fim de fazer uma só fase, somando quinze minutos para cada orador. Desejava-se garantir a cada senador espaço suficiente para desenvolver seu raciocínio, evitando as habituais prorrogações de alguns minutos, que não seriam permitidas. Assim, poderíamos ter discursos mais densos, mais fundamentados, coisa que não seria possível se fracionássemos as manifestações em pílulas de frases de efeito. Era necessário que ficasse evidente o papel de uma Casa julgadora, ponderada e moderada, como de fato se caracteriza o Senado Federal. Para dar transparência e previsibilidade à lista de oradores, adaptamos o painel eletrônico para que nele fosse exibida a ordem dos discursos, marcando cada orador após sua passagem pela tribuna. Na véspera da sessão, já havíamos anunciado que a votação seria eletrônica. Nada de declarações de voto apressadas, nada de um falso efeito de suspense. Como declarou o Presidente Renan Calheiros na abertura daquela sessão: era muito difícil garantir uma decisão indolor, mas, pelo menos, que fosse republicana, após uma sessão calma, responsável, permeada pelo espírito público, democrático, independentemente das ideologias partidárias que naturalmente iriam colorir o tom dos pronunciamentos.
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