Partindo da premissa segundo a qual o
sentido da política é a liberdade, Hannah Arendt sugere
que comecemos a recuperar o seu sentido original, pois a
história do século vinte é a história senão de sua
supressão pelo menos de sua obstrução. A freqüência
de guerras e revoluções nesse século “têm em
comum entre si o fato de serem símbolos da força“,
tornando o convívio com a liberdade mais uma utopia do
que uma conquista real e construtiva. No primeiro fragmento, datado de agosto
de 1950, que abre o livro, sob o título de O que é
Política?, Hannah começa a enumerar suas idéias, a
partir de constatações cuja simplicidade não as tornam
vulgares senão altamente instigantes para todos nós.
“A política”, diz ela, “baseia-se na
pluralidade dos homens.” Em seguida, acrescenta,
“política trata da convivência entre
diferentes.” Assim, se a pluralidade implica na
coexistência de diferenças, a igualdade a ser
alcançada através desse exercício de interesses, quase
sempre conflitantes, é a liberdade e não a justiça,
pois é aquela, a liberdade, que distingue “o
convívio dos homens na polis de todas as outras formas
de convívio humano que eram bem conhecidas dos
gregos.”
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