
O Mercado Comum do Sul é o objeto de estudo desta obra, especificamente a
sua dimensão sociolaboral. Transcorridos mais de vinte anos da fundação
do Mercosul, o referido processo de integração não foi capaz de
fornecer respostas eficazes no sentido de combater as mazelas sociais
que habitam a região mais austral da América do Sul. Igualmente é certo
que o bloco do cone sul enfrenta sérios entraves para concretizar os
seus objetivos estratégicos de integração, especialmente a formação de
um mercado comum. O objetivo perquirido nesta pesquisa foi o de avaliar a
dimensão sociolaboral do Mercosul, desde a perspectiva da justiça
social, e ponderar se há uma influência do trabalho decente no bloco do
cone sul. Com isso, buscou-se viabilizar um diagnóstico sobre o atual
estágio de evolução integracionista dentro da organização internacional
em foco. A metodologia arquitetada foi executada mediante a realização
de uma pesquisa qualitativa, do tipo explicativa, no formato de um
estudo de caso, tendo como unidade de análise a faceta sociolaboral do
Mercosul. A indução serviu como método para examinar os dados obtidos
por via das fontes do Direito, investigadas sob a perspectiva da
dogmática jurídica com vocação epistemológica. Foram analisados diplomas
normativos relativos ao direito de integração do Mercosul, assim como o
marco regulatório do Direito Internacional Público geral, mais
precisamente os Tratados, as Convenções, as Declarações e os Pactos
internacionais relativos à proteção dos direitos humanos. Além disso,
foram utilizados a doutrina, os princípios gerais de Direito e a
jurisprudência internacionalista como fontes de pesquisa. Constatou-se
que o Mercosul como organização internacional emprega uma ideologia sem
solidariedade social e um modelo institucional-jurídico inadequado de
integração, pois foram detectadas no vigente formato evidências de
unidimensionalismo econômico, de concentração do poder decisório nas
mãos de agentes governamentais nacionais, de déficit democrático, entre
outros entraves.
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