
Em um seminário no Collège de France, Michel Foucault coordenou um grupo de estudiosos que, durante mais de um ano, no intuito de estudar a relação entre psiquiatria e justiça penal, debruçou-se sobre o dossiê Pierre Rivière – jovem camponês que no século XIX matou sua mãe e seus dois irmãos a golpes de foice. Foram estudados os relatórios médicos, o processo criminal, as declarações das testemunhas sobre o réu e um memorial escrito por Pierre Rivière na prisão falando a respeito da tumultuada vida conjugal de seus pais, sua infância, o planejamento do crime, bem como suas motivações. Muitas pessoas foram convocadas a falar sobre Pierre Rivière, muitos discursos foram evocados para tentar dar conta de um fantasma tão amedrontador em nossa sociedade ainda hoje: a figura do parricida. Mas cada um fala sempre de um lugar, de um lugar diverso, próprio – é impossível esperar que as falas todas coincidam.
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