Em 1920, Monteiro Lobato (1882-1948) publicava o conto Negrinha no
livro do mesmo nome. Embora distante três décadas da proclamação da
República e da extinção da escravidão, o Brasil ainda vivia efeitos da
transição da Monarquia para a República e do trabalho escravo para o
trabalho livre. O país, que até então tinha sua estrutura social baseada no meio
rural e a estrutura econômica dependente da mão de obra escrava, passava
por inúmeras transformações. A indústria começava a se desenvolver e o
processo de urbanização avançava. O Brasil modernizava-se, mas o
preconceito racial contra aqueles que tinham a pele negra ou parda,
antigos escravos e seus descendentes, permanecia o mesmo. Sensível observador, Lobato denunciou, em momentos de suas obras, a
desigualdade entre brancos e negros, herança do escravismo. O conto
Negrinha é um desses momentos. Com personagens que representam a
população brasileira das décadas iniciais do século XX, Lobato expõe a
mentalidade escravocrata que ainda persiste tempos depois da abolição.
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