Noel Delamare é o pseudônimo literário de Roberto Lyra Filho, que o adotou, não para esconder-se, mas para separar a produção de ensaísta, poeta e tradutor de poesia, dos trabalhos de filosofia e sociologia jurídicas – mediante os quais se tornou uma das personalidades mais conhecidas, criativas, e polêmicas da atualidade. Como poeta, além de freqüentar, há perto de 40 anos, os suplementos e revistas, publicou um volume de traduções e participou de outro – igualmente como especialista em versão de poemas estrangeiros. Sua poesia original tem duas características principais: na temática, a substância confessional e erótica (traço comum dos poetas bissextos) é transfigurada pelo enquadramento político, fazendo de seu caso particular um símbolo da luta pela libertação, em todos os terrenos (o que é mais raro, em um bissexto, e já se afirma no título desta coletânea); do ponto de vista formal, por outro lado, a espontaneidade do “sentimento” é organizada com especial requinte, demonstrando erudição e amadurecimento, a nível técnico e de pesquisa (o que já permite afirmar que o autor só é um bissexto, no sentido da escassez de produção; ainda aqui, menos por falta de material rascunhado, que do excesso da autocrítica, votando-o, na maior parte, ao ineditismo).
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