O campo de reflexão de uma "moral comum" alarga-se enormemente, mas o
tema é delicado e suscita muitas precauções. A diversidade de correntes é
grande e são possíveis múltiplas derivações. É necessário, pois, um
exame crítico a cada passo de uma reflexão que deve avançar com a maior
prudência. Hoje, mais do que nunca, impõe-se reafirmar a distinção entre "o que é" o conhecimento científico e "o que deve ser" a elaboração de
normas morais. Contudo, é também indispensável ter acesso ao "que é"
para decidir o "que deve ser". Assim, esta obra debruça-se, numa
primeira parte, sobre o evolucionismo e mais, particularmente, sobre a
questão de saber se existe uma ética objectiva sem outro fim que ela
mesmo ou se, pelo contrário, a ética encontra a sua explicação na
história da sua vida e na das ciências humanas. Seguidamente, esta obra
dedica-se às neurociências e à psicologia. Qual é o papel do "mestre
cérebro empoleirado sobre o seu homem" nos comportamentos sociais e,
particularmente, na avaliação das consequências afetivas dos seus
atos? Quais as partes do inato e do adquirido nas escolhas com
incidência moral? Depois é a vez da ética/sociedade, com as disputas
sempre vivas suscitadas pela oposição entre direito e normas naturais e
pela distinção, ainda mais polêmica, entre uma moral estruturada em
torno da felicidade, da justiça e dos direitos, e o peso das regras e
convenções de tradições particulares, cujo poder simbólico não pode ser
subestimado. As divergências que encontramos entre as morais de
sociedades distintas serão inultrapassáveis? Num tempo em que é
hábito afirmar que as exigências morais são cada vez mais tênues, este
livro vem perspectivar uma luz diferente sobre um tema tão complexo, mas
fascinante.
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