Há muito se chegou à conclusão de que a adolescência,
tal como a conhecemos hoje, é uma invenção pós-Segunda Guerra. Mas a
cultura jovem é bem mais antiga. As primeiras tentativas significativas
de pensar e definir a juventude datam do século XIX. Cada um dos temas
hoje associados ao adolescente moderno teve ao menos um precedente
marcante entre 1875 e 1945, e não apenas nos EUA. É sobre essa
“pré-história” da adolescência, até a sua consolidação e explosão como
força de consumo, que trata o livro A criação da juventude: como o conceito de teenage revolucionou o século XX, do pesquisador britânico Jon Savage. A obra é um extenso e minucioso estudo dos fatores
políticos, econômicos, sociais e culturais que moldaram a juventude até
ela conquistar o status que mantém dos anos 1950 até hoje. Savage aborda
os reflexos da Revolução Industrial, das duas grandes guerras e da
Grande Depressão sobre os jovens dos EUA, França, Alemanha e
Grã-Bretanha, que começaram a se fazer ouvir no século XIX, através da
arte, da mudança de comportamento e da quebra de paradigmas.
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