Uma das produções mais expressivas de Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago deve
ser lido com os olhos voltados aos motivos da degradação do ser humano e
da sociedade portuguesa da época (patriarcal, machista, preconceituosa,
corrupta, adúltera e materialista por excelência). Dividida em três
partes, conforme sinaliza o título, a obra possui teor satírico e
personagens que são vítimas do sistema social de valorização das
aparências, com seus casamentos arranjados, homens e mulheres sem pudor e
a busca do dinheiro a qualquer custo.
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Convidamos todos os nossos visitantes a conhecerem a nova Biblioteca Virtual Livr'Andante ( www.livrandante.com.br ).
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terça-feira, 11 de outubro de 2016
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Camilo Castelo Branco - A Caveira Da Mártir

Publicado
em 1876, o romance A Caveira da Mártir foi um dos maiores sucessos
comerciais da carreira literária de Camilo Castelo Branco, quando ainda
era vivo e, tal como muitas das obras camilianas, é baseada em casos
reais e históricos. Mas, ao contrário de outros romances, que seguem
somente uma história linear, aqui é explorado um entrelaçado de
histórias, interligadas pelas acções e domínio da Santa Inquisição na
justiça portuguesa e da aplicação da pena capital. Como
história central está o caso de um médico francês que exercia a sua
profissão em Lisboa e que foi acusado de ter assassinado a sua jovem
esposa. Uma história verídica que foi mote de um dos maiores trabalhos
de investigação criminal da altura. O médico alegava que a mulher era
adúltera, o que, de acordo com a justiça da época, lhe dava o direito de
tomar providência em defesa da sua honra. Para além disso, o acusado
tinha sido agraciado, em anos prévios, com uma comenda da Ordem de
Cristo pelo seu trabalho, pelo que se tornava necessária a aprovação do
Vaticano para que ele fosse submetido a julgamento.
sábado, 5 de março de 2016
Moizeis Sobreira - A Ficção Camiliana: A Escrita Em Cena
A recepção à ficção camiliana se subsume fundamentalmente a dois
operadores hermenêuticos consagrados por uma parcela significativa da
crítica literária luso-brasileira: a conjunção vida/obra e o
enquadramento da produção literária assinada por Camilo no Romantismo
português. Por meio do estudo de dois romances camilianos, Amor de
Perdição (1862) e Onde Está a Felicidade?(1856), interessa problematizar
a análise da produção ficcional camiliana que se baseia nesses
operadores hermenêuticos. Nesse sentido, parte-se das indagações: terá
Camilo assimiliado e culminado na tradição literária portuguesa a
sacralização do amor? Será Camilo essencialmente um escritor
ultra-romântico, autor, sobretudo, de novelas passionais? A resposta
dada a essas questões se baseou na relação entre esses textos e a
vigorosa tradição literária metaficcional, fortemente enraizada nos
períodos que antecedem e sucedem a atuação de Camilo como escritor. A
presença dos expedientes metaficcionais em Amor de Perdição e Onde Está a
Felicidade revela uma representação mimética que se desdobra em
representar o mundo, particularmente o burguês, e os mecanismos que
envolvem essa representação, evidenciando uma construção literária que
não se limita a criar a sugestão do real, tomando também a sua
problematização como eixo. O ato de criar torna-se alvo de
questionamento, exigindo dos seus participantes, nomeadamente
narrador/autor e leitor, novas posturas mentais em que a origem e a
destinação do significado não se apresentam tranquilamente assumidas por
aquele e este, respectivamente, derivando desse arranjo um texto em
processo, que se constrói, que se assume como mise en scène.
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.
terça-feira, 31 de março de 2015
Camilo Castelo Branco - A Sereia
Estamos no dia 15 de maio de 1762. Naquele tempo, os dias de maio, no
Porto, eram temperados, alegres, perfumados, encantadores. A primavera,
há cem anos, aparecia quando o calendário a dava. Ninguém saía de sua
casa às cinco horas duma tarde cálida de maio, com um casaco de reserva
no braço para resistir ao frio das sete horas; nem o peralta portuense
levava escondido na copa do chapéu o cache-nez, com que, ao anoitecer,
havia de resguardar as orelhas da nortada cortante.
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