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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Evaldo Cabral De Mello - Nassau














João Maurício de Nassau-Siegen foi um governante, no Brasil do século XVII, de qualidades excepcionais. Nobre de origem alemã, teve formação humanista da melhor qualidade. Na guerra, era um militar temperado, e conhecia a fundo arquitetura, história e artes plásticas. Nomeado pela Companhia das Índias Ocidentais, uma empresa de comércio semi-estatal, Nassau desembarca no Recife, em 1637, na condição de governador, capitão e almirante-geral do Brasil holandês. A experiência nordestina de Nassau, que se estenderá por sete anos, é o fulcro do perfil de Evaldo Cabral de Mello. Trata-se de uma experiência decisiva para uma mitologia virtual que ainda hoje reverbera: em contraposição à colonização lusitana, católica, estatal e burocrática, a administração ilustrada, racional e privatista de Nassau representaria a possibilidade de outro destino nacional - o de feições weberianas, bafejado pela ética protestante e pelo espírito do capitalismo. É em torno dessa questão que se desenvolve o livro do historiador pernambucano. Mestre na arte da escrita concisa e de uma história narrativa, na tessitura de dados locais e miúdos com as grandes linhas das disputas comerciais e militares européias, Evaldo Cabral de Mello avalia criticamente a empresa nassoviana no Nordeste. Ele relativiza, e torna mais complexos, os mitos que envolvem a ocupação holandesa. Mostra, por exemplo, que de fato Nassau tinha um grande talento militar. Em seguida comprova que, ao não conseguir se apoderar de Salvador (por insuficiência de tropas), o governador praticamente selou a sorte dos Países Baixos no Brasil. Nota, também, que os grandes feitos militares de Nassau se deram em batalhas navais, não comandadas diretamente por ele. Evaldo Cabral de Mello vai então ao nó da questão: a grande conquista estratégica de Nassau se deu do outro lado do Atlântico, em Angola. Ele conquistou a colônia africana porque a economia açucareira do Nordeste estava erigida sobre base escravocrata, e não sobre a migração de pequenos proprietários europeus, como rezaria a cartilha do capitalismo de feição protestante. No seu primeiro relatório à Companhia das Índias, Nassau adverte que é preciso capital "para comprar alguns negros, sem os quais nada de proveitoso se pode fazer no Brasil".

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Evaldo Cabral De Mello - O Bagaço Da Cana: Os Engenhos De Açúcar Do Brasil Holandês














Depois de O Brasil holandês, em que Evaldo Cabral de Mello contextualiza trechos dos documentos mais importantes sobre a presença batava no Nordeste, o autor publica obra sobre os engenhos de açúcar na região, que complementa o livro anterior e constitui um instrumento valioso para o estudo da história socioeconômica do período. Em O bagaço da cana, o autor analisa aspectos da atividade canavieira nordestina entre o início da colonização portuguesa e a definitiva retirada dos holandeses, e defende que, mesmo no momento da sua maior expansão durante os anos do governo Nassau, o cultivo açucareiro não chegou a alcançar o patamar da fase anterior a 1630. O bagaço da cana é fruto de uma pesquisa exaustiva baseada em documentações de origem neerlandesa e luso-brasileira, e uma obra essencial para entender o primeiro boom econômico do Brasil Colônia.

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Evaldo Cabral De Mello - O Negócio Do Brasil: Portugal, Os Países Baixos E O Nordeste (1641-1669)














Sessenta e três toneladas de ouro: esse foi o preço que Portugal pagou aos holandeses para que eles devolvessem o Nordeste aos lusitanos; essa negociação teria sido o arremate de uma guerra que já havia sido vencida pelos portugueses, que mesmo assim sentiam-se vulneráveis ao rivalizar com a principal potência econômica e militar do século XVII. A tese heroica de que os holandeses foram expulsos mediante a valentia dos portugueses, dos índios e dos negros é revista nessa reconstituição histórica feita por Evaldo Cabral de Mello, um dos maiores historiadores brasileiros, especialista em história regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII.

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Evaldo Cabral De Mello - O Nome E O Sangue: Uma Parábola Genealógica No Pernambuco Colonial














Dos séculos XVI ao XVIII vigorava em Portugal, Espanha e respectivas colônias um sistema de discriminação que impedia aos descendentes de judeus, africanos, índios e mouros o acesso aos cargos públicos, à carreira eclesiástica e às honrarias e mercês dispensadas pela Coroa. A honra do indivíduo e de sua parentela ficava assim prisioneira da "pureza" do sangue. Ao procurar reconstituir as tramoias que viciaram o processo de habilitação de Felipe Pais Barreto, membro de uma rica família do Pernambuco colonial, a cavaleiro da Ordem de Cristo, o historiador Evaldo Cabral de Mello defrontou-se com a questão do sangue judaico que corria nas veias de vários dos troncos que haviam povoado a Nova Lusitânia, isto é, o Pernambuco que vai da fundação da capitania por Duarte Coelho à ocupação holandesa (1535-1630). Desenredando o emaranhado de fios da linhagem dessa rica família do Brasil colonial, Evaldo Cabral de Mello nos desvenda um sistema de fraude genealógica montado com o propósito de apagar as origens comprometedoras de poderosos que já eram nobres ou que aspiravam a sê-lo, revelando uma face importante e pouco estudada desse período histórico. Um ensaio fascinante, fruto de uma investigação quase que policial, em que à seriedade da pesquisa se alia a paixão do estudioso.

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