O ângulo escolhido por Isabel Lustosa para analisar D. Pedro I foi o do
herói macunaímico – aquele sem nenhum caráter. De personalidade
turbulenta, mal-educado e chucro, Pedro de Bragança e Bourbon tinha tudo
para ser um péssimo governante. Em certo sentido o foi: dizendo-se
liberal, exerceu o poder de maneira autocrática, dissolveu a
Constituinte que ele mesmo convocou, humilhava os aliados e amigos,
quando no Brasil se cercou de uma corja de dar medo, e admitia
abertamente a corrupção. Tanto que, ao abandonar o Rio de Janeiro, já no
navio que o levaria à Europa, retrucou as queixas do marquês de
Paranaguá, seu ministro, de que não tinha como se sustentar, com o
exemplo de outro ministro: “Por que não roubou como Barbacena? Estaria
bem agora”.
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terça-feira, 15 de novembro de 2016
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Isabel Lustosa - D. Pedro I: Um Herói Sem Nenhum Caráter
Em 7 de abril de 1831, após uma série de acontecimentos que o tinham levado a abdicar da Coroa brasileira, d. Pedro I era obrigado a deixar o Brasil. Ao longo da semana em que seu navio permaneceu no porto, ele se dedicou a cuidar de negócios, recebendo a bordo para essas operações corretores e comerciantes de má fama na corte, tratando pessoalmente com eles. Causou espécie entre a oficialidade do Warspite, navio inglês que o acolhera, a avidez minuciosa com que o ex-imperador realizava transações, contas, avaliações, venda de títulos, venda de imóveis e até dos objetos mais banais, como selins e arreios de cavalos, mobílias,carruagens, roupas, quadros, louças e pratarias. Cuidava ele mesmo da contabilidade,arrolando tudo em inumeráveis folhas de papel nas quais se alinhavam parcelas e cálculos com o valor de todos os seus bens. Talvez por desconfiança, acompanhou pessoalmente o embarque de sua bagagem e andava pelos corredores do navio abraçado à caixa de um faqueiro de prata que pretendia vender quando chegasse à Europa.
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