Questionando a validade do sagrado, perante os olhos muçulmanos, Salman
Rushdie foi considerado blasfemo e recebeu a maldição da ‘fatwa’, a
sentença de morte do islamismo. Em ‘Versos Satânicos’ Rushdie conta a
história de dois homens – indianos e atores – que caem do céu para a
terra, depois que terroristas explodem o avião em que viajavam. Ambos
chegam incólumes ao solo da Inglaterra e se metamorfoseiam – um em
diabo, outro em anjo. Muitas coisas opõem e associam os acidentados – um
é apolíneo, o outro dionisíaco; um é apocalíptico, o outro integrado;
um é apegado a sua origem, o outro está decidido a conquistar a nova
nacionalidade.
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quinta-feira, 19 de maio de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Salman Rushdie - Joseph Anton: Memórias
Em 14 de fevereiro de 1989, Salman Rushdie recebeu um telefonema que
mudaria sua vida para sempre. Mal contendo a excitação provocada pela
notícia, uma jornalista da BBC informava o escritor britânico de origem
indiana que o aiatolá Khomeini, líder supremo do Irã, acabara de emitir
uma fatwa contra ele - uma espécie de sentença de morte, lançada ao mundo todo. Seu crime? Ter escrito o romance Os versos satânicos, obra acusada de ser “contrária ao Islã, ao Profeta e ao Corão”. Assim começa a história extraordinária do escritor que se viu forçado a
viver na clandestinidade, mudando de uma casa para outra e com uma
escolta policial que o acompanhava 24 horas por dia. Quando o serviço
secreto pediu a Rushdie que criasse um codinome, ele pensou em dois
escritores que amava, Conrad e Tchekhov, e na combinação de seus
primeiros nomes: Joseph e Anton. Como um escritor e sua família vivem sob a ameaça de assassinato durante
nove anos? Como ele pôde trabalhar e ter uma vida amorosa diante de
tais circunstâncias? Como o desespero moldou seu pensamento e suas
ações? Ele relata a realidade ora deprimente, ora cômica de se ter policiais
armados vivendo com você e de ter de criar laços com seus protetores;
escreve sobre os esforços para conseguir apoio e compreensão por parte
dos governos, dos chefes de inteligência, dos editores, jornalistas e de
seus colegas escritores. Rushdie somente reconquistou sua vida normal treze anos após a
famigerada sentença, quando o serviço secreto britânico considerou que o
nível de ameaça havia diminuído e permitiu que ele vivesse sem carros
blindados nem guarda-costas armados - e, sobretudo, sem medo. Nessas memórias fascinantes, plenas de honestidade e sem medo de
provocar, Rushdie usa seu brilhante talento narrativo para contar a
história de uma das batalhas mais cruciais do nosso tempo pela liberdade
de expressão.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Salman Rushdie - A Feiticeira De Florença
Amigo de infância do célebre Niccolò Machiavelli, Antonino Argalia viveu na Florença renascentista até perder os pais para a peste. Sozinho, decide tentar a sorte em terras distantes. Peripécias diversas acabam por alçá-lo à frente das forças otomanas em luta contra o xá da Pérsia, em 1514. Uma vez derrotado o xá, Argalia se apaixona por Qara Köz, ex-amante do soberano e mulher de beleza e poderes mágicos. A história de Qara Köz, a feiticeira de Florença, é contada ao imperador Akbar, o Grande, por um atrevido forasteiro que atravessa o mundo para comunicar ao soberano mongol que é seu parente direto. Numa intrigante sucessão de aventuras, o misterioso contador de histórias vai revelando os caminhos que conduzem Argalia e sua bela mulher desde Istambul até a Florença dos Medici.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Luana Hordones Chaves - Caso Rushdie: Direitos Humanos E Islamismo Como Instrumentos Do Conflito
Quando o romance Os versos satânicos, do escritor indo-britânico
Salman Rushdie, foi publicado na Inglaterra em 1988, criou-se uma
grande controvérsia, que se espalhou pelo Ocidente e países de maioria
islâmica. O episódio, que revelou de forma contundente a oposição entre
os fundamentos ético-morais islâmicos e os do Ocidente e provocou graves
conflitos político-econômicos envolvendo tanto as potências ocidentais
como nações do Oriente, é o ponto de partida deste estudo de Luana
Hordones Chaves. Apesar de se tratar de uma obra de ficção, ao retratar o profeta Maomé e
personagens da religião islâmica de forma desrespeitosa, o livro
provocou revolta no mundo muçulmano e mesmo na Inglaterra, onde foi
queimado em praça pública em protesto contra as leis inglesas, que ate
então puniam a blasfêmia contra o Cristianismo. Manifestações contra a publicação foram observadas no Paquistão,
Turquia e Índia. Mas no Irã, a reação atingiu o ápice, quando o aiatolá
Khomeini, presidente da República Islâmica do Irã, mesmo sem recorrer às
leis do islamismo para justificar sua decisão, decretou sentença de
morte ao escritor e a todos os que estavam envolvidos com o livro, sob
acusação de blasfêmia. A fatwa (decreto) do líder iraniano provocou o
rompimento de relações diplomáticas da Inglaterra com o Irã e foi
condenada pela Conferência Islâmica por 44 dos 45 países participantes. Se por um lado a sentença de morte de Rushdie é carregada de
referências à lei islâmica e aos valores e concepção de vida próprios da
religião, por outro, as potências ocidentais condenaram a fatwa com
base nos direitos à vida e de liberdade de expressão garantidos pelos
Direitos Humanos. A autora analisa as relações entre Islamismo e Direitos Humanos e entre
Ocidente e Oriente, as quais perpassam a relação entre religião e
modernidade. E conclui a obra com um amplo debate sobre a questão da
universalidade dos preceitos contidos nos Direitos Humanos, tendo em
vista a interculturalidade.
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