Afinal, de onde vêm as boas ideias? Essa é uma pergunta que todos
gostariam de saber responder. Steven Johnson consegue. O autor, de
início, descarta o senso comum de que os grandes criadores já nascem
geniais e, isolados em seus estúdios ou laboratórios, concebem as
grandes descobertas. E dedica a sua pesquisa inicialmente à biologia,
chegando à conclusão de que a evolução depende, mais do que de ambientes
propícios para a sobrevivência, de meios em que espécies diferentes
entrem em contato. No campo das ideias não é muito diferente. Traçando a história por trás de quase duzentas descobertas e
invenções, o autor comprova que um ambiente conectado, em que intuições
circulam livremente, é mais propício para o surgimento de grandes
invenções. No século XIX, por exemplo, um cientista projetou uma máquina
semelhante aos computadores criados cem anos depois. Naquele momento,
porém, o desenvolvimento do artefato parecia impossível, não havia
tecnologias disponíveis para que o projeto fosse à frente. O ambiente
não era propício para que a descoberta se concretizasse. Johnson nos mostra, criando paralelos divertidos, inesperados e
reveladores, os sete padrões fundamentais dos processos de inovação
desenvolvidos pelo homem e pela natureza: as descobertas que surgem a
partir de outras descobertas; as redes em que informações se chocam
constantemente; as intuições lentamente construídas; as intuições
acidentais; o aprendizado a partir dos erros; as invenções de uma área
que encontram aplicação em outra; os processos generalizados de
sedimentação do saber. Com as ferramentas presentes nos dias de hoje, qualquer pessoa é
capaz de criar algo inovador. É preciso, porém, saber cultivar. Como?
Essa é mais uma pergunta que Johnson consegue responder.
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Estamos Em Uma "Casa" Nova
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Steven Johnson - Como Chegamos Até Aqui
Uma incrível jornada pela história da inovação ao longo dos séculos por
um dos mais influentes pensadores da tecnologia Refrigeração, relógios,
lentes, água potável, gravação de som e luz artificial - elementos
fundamentais de nossa vida diária - são esquadrinhados de forma
totalmente original, desde sua remota criação por inventores diletantes,
amadores e empreendedores visionários, aos efeitos e evoluções que
desencadearam. Entre surpreendentes casos de genialidades acidentais e
equívocos brilhantes - como o do editor francês que inventou o fonógrafo
antes de Edison, mas se esqueceu de incluir a reprodução; ou do
visionário que ganhou uma fortuna transportando água congelada de um
lago de Boston para o Caribe -, Steven Johnson deixa claro mais uma vez
por que é um dos escritores de não ficção mais admirados no mundo todo.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Steven Johnson - O Mapa Fantasma
Londres, 28 de agosto de 1854. Era verão, a cidade tinha um mau cheiro
insuportável, resultado do amontoado recente e desorganizado de mais de
dois milhões de seres humanos e seus dejetos. Em um bairro pobre da nova
metrópole, Sarah Lewis aproveitou que o seu bebê de seis meses dormira,
depois de horas de choro e diaréia, para colocar de molho os panos
usados pela criança doente. Após a limpeza, despejou a água em uma fossa
em frente à sua casa. Ela mal podia imaginar, mas começava aí uma das
grandes chagas da história da cidade. Uma epidemia de cólera se
espalhou pelos arredores em um ritmo avassalador, matando mais de 500
pessoas em apenas dez dias. Nesse mesmo momento, dois homens iniciariam
uma jornada científica em busca do mal causador da praga. O paradigma
da época era a chamada teoria do miasma, que apontava o ar 'sujo e
contaminado' como o grande transmissor das doenças que de tempos em
tempos atacavam os londrinos. Para um médico e cientista da época
chamado John Snow, no entanto, a teoria não convencia. A partir dessa
premissa, Snow passou a suspeitar da transmissão pela água. Defendeu
teses que foram motivos de deboche nos principais jornais da cidade, mas
que acabaram por convencer um padre local, Henry Whitehead, alarmado
com a morte desenfreada do seu rebanho. Na forma de um thriller
científico, O Mapa Fantasma narra a história da luta desses dois
homens contra o cólera. Sem contar com instrumentos microscópicos
capazes de identificar a origem da doença, Snow e Whitehead enfrentaram
uma mentalidade científica tão disseminada quanto equivocada, bem como
políticas públicas que, em vez de solucionar, alimentavam o problema.
Hoje, graças às experiências do dr. Snow e a perseverança do padre
Whitehead, dejetos humanos e água potável seguem caminhos distintos nas
grandes cidades do planeta. E a revolucionária vida urbana das
metrópoles que caracterizaria os tempos modernos pôde florescer.
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