O livro em questão examina o formato institucional híbrido da
assistência à saúde no Brasil, em que coexistem um sistema público e um
privado, com formas diferenciadas de acesso. A autora demonstra que tal
arranjo híbrido não foi, como algumas pesquisas anteriores indicam,
simples resultado de reformas e demandas privatizantes da década de 90,
mas resultou de mecanismos institucionais estabelecidos desde a década
de 60. A obra tem dois grandes méritos: é uma excelente sistematização
do conjunto de informações, até então dispersas ou não trabalhadas pelos
estudiosos, sobre o setor privado de saúde e revela uma radiografia
abrangente e precisa deste segmento. Além disso, foge da visão
simplificada e supera o formato descritivo dos estudos sobre o complexo
sistema de saúde no Brasil, visitando o passado para ajudar a
interpretar a natureza dual desse sistema.
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domingo, 14 de agosto de 2016
domingo, 9 de novembro de 2014
Telma Maria Gonçalves Menicucci - A Relação Entre O Público E O Privado E O Contexto Federativo Do SUS: Uma Análise Institucional
A política de saúde no Brasil, a partir do processo de democratização do
país, que culminou com a promulgação de uma nova Constituição em 1988,
tem como sua principal institucionalidade, o Sistema Único de Saúde
(SUS). Esse foi definido a partir de princípios universalistas e
igualitários, embasado em uma concepção de saúde enquanto “direito de
todos e dever do Estado”, o que configura o grande ineditismo de sua
concepção no contexto de reformas liberalizantes da década. Em
conjuntura político internacional adversa, o SUS conseguiu ser implantado
e permitiu avanços significativos em termos de cobertura e acesso a
ações e serviços de saúde. Em que pese o seu sucesso em resistir às
pressões por reformas pró-mercado, o SUS enfrenta dificuldades de
diferentes ordens para tornar realidade os seus princípios distributivos
ambiciosos na contramão de processos reprodutores de desigualdades e,
de fato, o sistema de saúde brasileiro permanece segmentado e desigual.
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