A política de saúde no Brasil, a partir do processo de democratização do
país, que culminou com a promulgação de uma nova Constituição em 1988,
tem como sua principal institucionalidade, o Sistema Único de Saúde
(SUS). Esse foi definido a partir de princípios universalistas e
igualitários, embasado em uma concepção de saúde enquanto “direito de
todos e dever do Estado”, o que configura o grande ineditismo de sua
concepção no contexto de reformas liberalizantes da década. Em
conjuntura político internacional adversa, o SUS conseguiu ser implantado
e permitiu avanços significativos em termos de cobertura e acesso a
ações e serviços de saúde. Em que pese o seu sucesso em resistir às
pressões por reformas pró-mercado, o SUS enfrenta dificuldades de
diferentes ordens para tornar realidade os seus princípios distributivos
ambiciosos na contramão de processos reprodutores de desigualdades e,
de fato, o sistema de saúde brasileiro permanece segmentado e desigual.
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