A obra "Da Violência", escrita entre 1968 e 1969, trata de uma
investigação acerca da "natureza e das causas da violência". Tal
discussão se estrutura em três partes. A autora parte da descrição e
discussão dos acontecimentos políticos imediatos, colocando-nos o
sistema de guerra e violência a que estamos submetidos. Para a autora, a
guerra é o sistema social básico, dentro do qual outros tipos de
organização social conflitam ou conspiram. Superpopulação, por exemplo,
para a autora, redunda em agressividade e violência. Assuntos
discutidos, por exemplo, é que à Segunda guerra mundial não se seguiu a
paz, mas sim uma guerra fria e o estabelecimento do complexo
militar-industrial. Não menos hoje, algumas décadas após o lançamento da
obra - atualíssima - ainda temos prioridade do potencial para luta
armada como a principal força de estruturação da sociedade. Os sistemas
econômicos, as filosofias políticas e a corpora juris servem e estendem o
sistema bélico. Para Arendt, a paz é a continuação da guerra por outros
meios, é o verdadeiro desenvolvimento das técnicas de guerra,
que desfilam no cenário mundial em momentos oportunos, tais como pudemos
presenciar na guerra contra o Iraque. Neste capítulo a autora aponta
análises de vários autores sobre a questão do poder e da violência, tal
como a de Marx, para quem o Estado é um instrumento de violência sob o
controle das classes dominantes. O que nos leva a refletir
sobre nossa sociedade atual e suas perspectivas de futuro, totalmente
ameaçada pelo contexto abordado. Estas discussões iniciais ensejam
análises conceituais para esclarecê-las. É o que se fará na seqüência.
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