O conto Pai contra Mãe é uma narrativa em terceira pessoa, que ocorre no
Rio de Janeiro nos tempos do Império. Becos estreitos, sujeira, miséria
fazem contraponto com a riqueza e a ostentação dos donos de escravos.
Cândido Neves é um caçador de escravos fugitivos, profissão que lhe
rende o sustento. Cândido casa-se com Clara e ambos sonham em ter um
filho. Clara engravida, porém os escravos fugidios começam a escassear e
Cândido fica séria dificuldade financeira; desesperado e sem saber o
que fazer para sustentar o filho, o pai chega ao extremo de ter que
optar por colocar o bebê na Roda dos Enjeitados, para a criança não
morrer de fome. Cândido cogita mil saídas para ficar com o filho, não
encontrando nenhuma, sai de casa com o filho nos braços para depositá-lo
na Roda. No caminho vê uma escrava fugitiva, e entregando o menino para
um senhor, sai em perseguição da negra. Pegando-a, ela lhe suplica
liberdade e diz que está grávida e não quer ter um filho escravo. Nesse
momento miséria e escravidão entram em luta. Cândido vence, e entrega a
escrava ao seu dono. Vítima da violência implacável de seu senhor a
escrava negra aborta a criança que esperava. Cândido recebe pela caça o
dinheiro de que precisa para poder ficar com o filho e sustentá-lo. O
conto termina com a frase de Cândido que tenta justificar sua tirania:
Nem todas as crianças vingam… O autor mostra a miséria humana, através
dos dramas paralelos de um pai contra mãe, lutando por duas vidas, onde o
indivíduo é capaz de aplacar sua consciência, mesmo tendo cometido o
maior dos crimes, justificando a troca de uma vida pela outra.
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