O romance Marco zero, de Oswald de Andrade, foi concebido como um
conjunto de cinco livros. Deveria constituir, nas palavras do próprio
autor, um mural, um afresco, um mosaico e um comício de idéias: enfim,
uma síntese da história do Brasil na primeira metade do século XX a
partir de São Paulo. Dos cinco livros projetados, porém, apenas dois
foram escritos: Marco zero I — A revolução melancólica e Marco zero II —
Chão, agora relançados em edições revistas, sob supervisão editorial de
Jorge Schwartz e fixação de texto de Gênese Andrade, contando com uma
abrangente bibliografia a cargo de K. David Jackson e com uma detalhada
cronologia por Orna Messer Levin. Marco zero I — A revolução melancólica
tem apresentação de Di Cavalcanti e prefácio de Maria de Lurdes
Eleutério. O primeiro volume da projetada pentalogia
brasílico-paulistana, datado de 1943, a partir do fracasso da revolução
de 1932 referida no título, traz um panorama de São Paulo: “O escritor
mapeia o espaço paulista percorrendo a capital, o interior, o litoral.
Viajamos pela geografia do Estado de São Paulo [...]. Também no tempo
histórico empreendemos viagem, visto que Oswald está constantemente a
inquirir a história. [O livro] revela o périplo oswaldiano por São
Paulo, observando falas, contextos, inquietações de um numeroso e
significativo contingente populacional de variada origem e condição
social. Oitenta cadernos de anotações foram elaborados para compor os
tipos e as situações que integram o romance [...] Oswald é hábil em nos
fazer ir da sede da fazenda para a casa do bairro do Jardim América. Ou
então, estando no bairro proletário do Brás, voltamos à Jurema, a
pequena cidade ‘morta entre latifúndios’”. Uma de suas marcas
estilísticas é, portanto, o registro de vários falares regionais e
sociais.
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