É comum falar da existência de uma “vocação natural” de países e povos que estaria determinada, em última instância, pela geografia, pela história e nível de mobilização de suas sociedades. E sempre existiram países ou povos que atribuíram a si mesmos uma vocação superior, um “destino manifesto” de converter, civilizar ou governar os demais povos do mundo. Entretanto, quando se estuda a história mundial, descobre-se que nunca existiram povos com vocações inapeláveis, nem países com destinos “revelados”. Descobre-se também que todos os países que conseguiram projetar seu poder para fora de suas fronteiras e se transformaram em grandes potências, em algum momento, foram países periféricos ou secundários dentro do sistema mundial. Por isso, em todos os casos de poder e influência, ou mesmo de liderança, existiu um momento em que houve uma distância muito grande entre a capacidade imediata da qual o país dispunha e sua vontade ou decisão política de mudar seu lugar na hierarquia internacional. Uma distância objetiva que foi sendo superada sem voluntarismos e com planejamento e “vontade estratégica” que se sustentou de forma consistente por um longo período e independente da mudanças de governo.
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