O livro aborda as sagas dos frades principalmente franciscanos e
dominicanos, pertencentes a ordens mendicantes e que se arriscaram em
perigosas viagens ao Oriente nos séculos XIII e XIV. Para o autor, não
foram homens que se expuseram pelo simples prazer ou pela vontade de
percorrerem aventurosamente terras desconhecidas e ignotas, antes foram
homens cujo objetivo era marcadamente político-religioso, mas agindo
dentro de uma nova configuração. Segundo o autor, esses
missionários assumiram e definiram para si uma tarefa – a de expandir a
fé cristã – que, embora longe de ser uma novidade, ganharia com eles
praticamente um caráter duplo. Para dominicanos e franciscanos, viajar e
observar a diversidade do mundo exterior, paisagens, povos e costumes
não deviam ser tomados como algo pecaminoso, um afastamento das
preocupações espirituais, mas sim como um caminho para encontrar as
manifestações diversas de Deus no mundo sensível. Dessa forma,
eles acabariam por redefinir o próprio sentido missionário, pois, para
melhor difundir a fé, era preciso ser iniciado na doutrina cristã e nos
seus preceitos e também estar preparado para os obstáculos que se
encontrariam e para as variedades do mundo não conhecido, de suas
línguas e de seus costumes, peculiaridades, estranhezas e maravilhas.
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