Em O lustre, trafega-se, a maior parte do tempo, pelo mundo interior da
protagonista, Virgínia, desde sua infância em um remoto vilarejo do
interior até a vida adulta numa cidade grande e solitária. Clarice não
permite ao leitor ter completo acesso ao que se passa do lado de fora — a
não ser na crua e, talvez, surpreendente cena final. No universo
subjetivo da escritora, a única clareza está nos sentimentos. Virgínia
ama seu irmão, Daniel, sua alma gêmea, seu senhor. Virgínia ama seu
amante, Vicente, a quem conhece tão pouco... A história é contada como
num jogo de luzes e sombras, cada parágrafo permitindo apenas antever,
de relance, a força sufocante de tanto amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário