Em O Tempo, Clarice Lispector faz aparições. A presença da escritora,
como indica o curador Roberto Corrêa dos Santos, mostra-se em forma de
frases, enunciados, sensações e pensamentos. O material foi
cuidadosamente escolhido em parte da obra da grande escritora. Em um
prosseguimento ao que havia iniciado em As Palavras(2013), desta vez o
curador coleta frases de Clarice em Minhas queridas, Cartas perto do
coração/Fernando Sabino,Clarice Lispector, Laços de família, Felicidade
clandestina, O Lustre, A cidade sitiada e A maçã no escuro. O resultado é
uma coletânea que retrata, acima de tudo, o modo como pensava Clarice,
seu senso de humor refinado e sagaz, suas fraquezas e franqueza. Enfim,
sua forma de ver o mundo apresentada por meio de sua melhor aptidão: o
texto. “Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais
desejo no mundo, mesmo mais que amor.” Ou ainda: “Escrever é respirar
dentro da frase. É por algum silêncio nas linhas como nas entrelinhas
para que o leitor possa respirar comigo, sem pressa, adaptando-se não só
ao seu ritmo como ao meu, numa espécie de contraponto indispensável.” O tempo pode ser lido de forma aleatória, colhendo uma frase aqui ou
ali, mas alguns capítulos tornam-se ainda mais interessantes quando
lidos de maneira linear. Partes de algumas obras são tão indissociáveis,
que o curador optou por um recorte mais longo, como se fossem histórias
curtas. Os capítulos estão divididos por livros. As frases foram
colhidas na obra que nomeia o capítulo. Não se trata de um resumo, mas
de escolhas que representam o fervor das ideias de Clarice. Como
descreve o curador: “Em O tempo, a alta Clarice vai além de todo
espanto, além de toda beleza: atinge o inatingível, o sobre-humano.” A coletânea é indicada tanto a quem está tendo um primeiro contato com
Clarice Lispector quanto para aqueles leitores-especialistas, que irão
recordar passagens repletas de sabedoria verbal, plástica, afetiva,
filosófica, poética e artística.
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Convidamos todos os nossos visitantes a conhecerem a nova Biblioteca Virtual Livr'Andante ( www.livrandante.com.br ).
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quarta-feira, 9 de novembro de 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Clarice Lispector - Para Não Esquecer
Para a legião de apreciadores de textos curtos e boas frases o livro Para não esquecer,
de Clarice Lispector, é leitura obrigatória. A obra — publicada pela
primeira vez em 1964 — reúne 108 crônicas que bem poderiam pertencer a
um diário. Ora a autora conta uma pequena história, ora ela simplesmente
parece pensar alto. "Os homens têm lábios vermelhos e se reproduzem. As
mulheres se deformam amamentando", diz, em Aldeia italiana. No
final desse curtíssimo artigo, Clarice resume: "A vida é triste e
ampla." A cidade de Brasília merece um dos maiores textos desse livro. A
primeira parte foi escrita em 1962 e a segunda, 12 anos mais tarde,
quando a escritora retornou à capital brasileira. Em ambas ela fala
sobre suas impressões com algum carinho e bastante ironia. "Os ratos
adoram a cidade. Qual será a comida deles? Ah, já sei: eles comem carne
humana."
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domingo, 16 de outubro de 2016
Clarice Lispector - Onde Estivestes De Noite
A coletânea de textos de Onde estivestes de noite,
de Clarice Lispector, foi publicada pela primeira vez em 1974. São 17
crônicas trágicas e cômicas, onde as dores e as aflições do cotidiano
banal são reveladas ora por descrições angustiadas e delirantes, ora por
detalhes bizarros, risíveis, bem-humorados. O
texto que dá título ao livro, "Onde estivestes de noite", por exemplo, é
uma hipótese, uma visão de um ritual de magia negra ou de uma seita
louca qualquer, com a participação de peregrinos fanáticos, uma viagem
alucinada, atraente e atemorizante, durante uma noite improvável. Mas
tudo aquilo é verdade e existe, garante a autora, quando o dia amanhece,
afastando os males e as cenas do inferno, durante uma missa onde os
fiéis fazem o sinal-da-cruz: "A manhã estava límpida como coisa
recém-lavada", esclarece. Há
histórias hilariantes, como a da senhora Jorge B. Xavier, de "A procura
de uma dignidade", uma anciã atrapalhada diariamente acometida por um
fogo interior. É uma daquelas pessoas que erram o endereço do seminário e
que só fazem questão de ir para cumprir o papel de atualizada, mas
acaba passando mal de calor ao final do encontro.
Clarice Lispector - A Maçã No Escuro
Seriam os atos do homem, às vezes os mais cruéis, necessários para
elevá-lo à condição de imagem e razão? Em A maçã no escuro , Clarice
Lispector faz crer que sim, transformando o atordoado Martim em um novo
homem após ter supostamente assassinado a mulher. Fugindo do crime,
Martim acaba descobrindo-se como homem, desprezando os antigos valores
estabelecidos em sua vida. Na corrida por uma nova existência, ele se
revela numa outra condição. Sua fuga, em vez de isolá-lo, remonta à
criação do homem, de um novo ser surgido do nada. A narrativa, próxima
da criação bíblica, em vez de julgar os personagens culpados ou
inocentes, faz deles aprendizes do mundo, onde cada etapa funciona como
uma gênese de um ser recém-criado.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Teresa Montero (Org.) - Clarice Na Cabeceira

Clarice na cabeceira é uma seleção afetiva de 22 contos de Clarice Lispector feita por leitores que se dedicam a criar "instantes de beleza" em seus trabalhos: são escritores, atrizes, cineastas, cantoras, críticos literários e jornalistas. A frase de Guimarães Rosa ecoa no texto que cada leitor convidado escreveu: "Clarice, eu não leio você para a literatura, mas para a vida." Esta frase tocou tanto a escritora a ponto de ela registrá-la numa crônica em sua coluna no Jornal do Brasil. Clarice Lispector sempre declarou seu amor por aqueles que tinham paciência de esperá-la através da palavra escrita. Ainda em vida, ela recebeu o carinho dos leitores sob diversas formas. Mas quem é esse personagem chamado leitor? Clarice respondeu: "O personagem leitor é um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que inteiramente individual e com reações próprias, é tão terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor."
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Clarice Lispector - Um Sopro De Vida

Quando a escritora Clarice Lispector terminou Um Sopro de Vida
(Pulsações), às vésperas de sua morte, por câncer, em 1977, sabia que
este seria o seu livro definitivo. O livro era de fato o sopro de vida
de Clarice, que precisava escrever para se sentir viva. Na história, ela
fala de um homem aflito que criou uma personagem, Angela Pralini, seu
alter-ego. Mas ora ele não se reconhecia em Angela, porque ela era o seu
avesso, ora odiava visceralmente o que via refletido naquela estranha
personagem-espelho. O autor elabora Angela Pralini, mas ela toma
vida própria, surpreendendo e revoltando seu criador com suas
diferenças. Um processo de criação, uma relação em que Clarice Lispector
revela os conflitos de um autor com seus próprios impulsos e o quanto é
doloroso aceitá-los e deixá-los fluir. Ainda que estes impulsos se
realizem através de uma personagem, Angela Pralini, criada para libertar
o autor de seus fantasmas, cumpre o destino de ser o sopro de vida de
um escritor. A questão da vida e da morte atormenta este autor
criado por Clarice em seus últimos momentos de vida: 'Se me perguntarem
se existe vida além da morte... respondo num hesitante esquema: existe,
mas não é dado saber de que forma essa alma viverá... Vida, vida
recoberta em um véu de melancolia. Morte: farol que me guia em rumo
certo. Sinto-me magnífico e solitário entre a vida e a morte', diz o
autor, ao qual responde a personagem Angela Pralini: 'Na hora de minha
morte - que é que eu faço? Me ensinem como é que se morre. Eu não sei'.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Clarice Lispector - A Cidade Sitiada
O romance se passa na década de 1920 e está ambientado no pouco
atraente subúrbio de São Geraldo, onde vive a jovem Lucrécia Neves,
remotamente inconformada com a mesmice de um ambiente sem futuro. O
confronto entre campo e cidade, presente noutras obras da autora (O lustre,A maçã no escuro e Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres),
neste romance é essencial para a caracterização da personagem, dividida
entre a vila-refúgio de origem, com aqual mantém remotos laços
afetivos, e sonhos de uma metrópole romantizada. Mas a inquietação da
moça não vai além disso, pois ela apresenta visível limitação na
capacidade de refletir sobre a vida. “Lucrécia Neves talvez quisesse
exprimi-lo, imitando com o pensamento o vento que bate portas – mas
faltava-lhe o nome das coisas”. Seu modo de apreensão do real se dá pelo
olhar, que não chega a se transformar em linguagem, em palavra. O enredo, narrado em terceira pessoa, transcorre linear, em doze
capítulos de frases curtas, seguindo as deambulações da protagonista
pelas ruas das cidades e pela vida para se exibir e confirmar o que as
coisas são em sua aparência. As figuras masculinas, nos flertes e no
casamento, são peças do jogo de experimentar estilos de vida. O tenente
Felipe em sua farda e poder é, sobretudo, um estrangeiro que deprecia o
subúrbio e, assim, a ofende; Perceu Maria, protótipo da beleza, é fraco e
“vazio como ela”; o velho Mateus, com quem ela se casa, proporciona a
experiência da grande cidade, que não a sacia. Viúva, sobra a promessa
de novo casamento, que a afasta da cidade natal em direção a um sítio.
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Clarice Lispector - A Bela E A Fera
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Livro de contos lançado postumamente, reúne seis escritos do período
1940-41 e dois de 1977, pouco antes da morte da autora, ambos falando de
escolhas, sentido da vida, solidão e condição feminina. Os textos do
primeiro conjunto, ao se debruçarem sobre conturbadas relações amorosas
entre homem e mulher, não escondem a atmosfera romântica e certa
ingenuidade. Mas ao mesmo tempo trazem discussões que atravessam a
ficção clariciana. Lá estão a percepção aguda de dramas familiares e o
senso de ironia. A obra convida à leitura retrospectiva. Lado a lado, a
escritora madura, em momento de profunda crise devido à doença que a
tomava, e a jovem autora, na descoberta do mundo e da ficção. Curioso é que o olhar adulto sobre experiências remotas é simulado em
textos juvenis, como “História interrompida”. A narradora recorda a
paixão juvenil: um rapaz “moreno e triste”, roupa escura, analítico;
ela, jovem perspicaz, inteligente e romântica, de roupa florida,
diminuída com a altivez dele, mas já intuindo haver sob aquela soberba
um pensamento estéril. A rememoração, forma de compreensão, ou tentativa
de, registra a força da acomodação a valores dominantes: “Estou casada e
tenho um filho”. A história é retomada com variações em “Obsessão”,
também rememória de personagem com origem similar: “Nasci de criaturas
simples, instruídas naquela sabedoria que se adquire pela experiência e
se adivinha pelo senso comum”. Ela é preparada para “casar, ter filhos
e, finalmente, ser feliz”.
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terça-feira, 9 de agosto de 2016
Clarice Lispector - Uma Aprendizagem Ou O Livro Dos Prazeres
Como em todas as obras de Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou O livro
dos prazeres é um ponto de vista feminino a respeito da vida. Lóri, na
verdade, é a personagem central, enquanto Ulisses ocupa um papel
secundário, mero referencial para os pensamentos e atitudes de Lóri. O
livro conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si
própria e do prazer sem culpa. Uma viagem na qual Ulisses funciona como
um farol, indicando onde estão os perigos e o caminho correto para a
aprendizagem do amor e da vida.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Clarice Lispector - O Lustre
Em O lustre, trafega-se, a maior parte do tempo, pelo mundo interior da
protagonista, Virgínia, desde sua infância em um remoto vilarejo do
interior até a vida adulta numa cidade grande e solitária. Clarice não
permite ao leitor ter completo acesso ao que se passa do lado de fora — a
não ser na crua e, talvez, surpreendente cena final. No universo
subjetivo da escritora, a única clareza está nos sentimentos. Virgínia
ama seu irmão, Daniel, sua alma gêmea, seu senhor. Virgínia ama seu
amante, Vicente, a quem conhece tão pouco... A história é contada como
num jogo de luzes e sombras, cada parágrafo permitindo apenas antever,
de relance, a força sufocante de tanto amor.
sábado, 19 de março de 2016
Clarice Lispector - Aprendendo A Viver
Clarice Lispector tem o poder de encantar sucessivas gerações de leitores. Sua obra conquista mais leitores, num número crescente de países, comprovando que seu legado literário está mais vivo do que nunca, falando ao coração de muitos milhares de pessoas que ainda não eram nascidas quando ela faleceu, em 1977. Leitores jovens, de ambos os sexos e das mais diferentes culturas, que comprovam a universalidade e a imperecibilidade de seu legado literário. Aprendendo a viver imagens é uma compilação de fotos inéditas do acervo pessoal da família de Clarice e trechos de sua elogiada obra. Organizado pela professora e biógrafa da autora, Teresa Montero, e pelo fotógrafo Luiz Ferreira, as fotografias selecionadas para o livro mostram Clarice em todas as fases de sua vida, da infância até a década de 70.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Clarice Lispector - Perto Do Coração Selvagem
A vida de Joana é contada desde a infância até a idade adulta através de
uma fusão temporal entre o presente e o passado. A infância junto ao
pai, a mudança para a casa da tia, a ida para o internato, a descoberta
da puberdade, o professor ensinando-lhe a viver, o casamento com Otávio.
Todos estes fatos passam pela narrativa, mas o que fica em primeiro
plano é a geografia interior de Joana. Ela parece estar sempre em busca
de uma revelação. Inquieta, analisa instante por instante, entrega-se
àquilo que não compreende, sem receio de romper com tudo o que aprendeu e
inaugurar-se numa nova vida. Ela se faz muitas perguntas, mas nunca
encontra a resposta.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Benjamin Moser - Clarice,
Biografia de Clarice Lispector, escrita pelo norte-americano Benjamim
Moser, a obra revela aspectos fundamentais na trajetória da escritora,
desde a origem miserável e violenta na Ucrânia – para onde o autor
viajou – ao reconhecimento internacional. A partir dessa pesquisa, Moser
tece relações entre a vida e a obra da brasileira.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Roberto Correa Dos Santos (Org.) - As Palavras De Clarice Lispector
Mergulhar em As palavras, livro
que reúne fragmentos da obra de Clarice Lispector, com curadoria de
Roberto Corrêa dos Santos, é quase como presenciar uma declaração dupla
de amor. Amor do acadêmico e pesquisador pela obra de Clarice, que
transparece na seleção das frases, pinçadas com o intuito de revelar a
genialidade da escrita da autora e de inserir o leitor em seu universo
poético. E amor de Clarice pela vida, pela busca incessante em tentar
expressar em palavras aquilo que parece indizível: os sentimentos, o
mundo interior. A seleção inclui todo tipo de escrita realizada pela autora. Há desde
trechos de romances, contos e crônicas, até cartas e anotações pessoais.
Apesar de não cobrir toda a obra da escritora, o livro dá conta de boa
parte dela. As frases revelam Clarice em diferentes etapas de sua vida,
já que estão presentes trechos de seu romance de estreia, Perto do coração selvagem, escrito quando ela tinha apenas 19 anos, até fragmentos de seu último livro, Um sopro de vida, publicado postumamente em 1978. A leitura da sucessão de frases traz a impressão de que estamos diante
da fala da própria autora, de suas crenças sobre a vida. Mas, ao mesmo
tempo, aproxima o leitor do que está sendo dito, favorece a
identificação. “Tempo para mim significa a desagregação da matéria”,
afirma a narradora de Um sopro de vida. “Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”, diz o narrador de A hora da estrela. “A atualidade sou eu sempre no já”, revela um dos trechos de Água viva.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Clarice Lispector - Felicidade Clandestina E Outros Contos
O livro Felicidade Clandestina, lançado em 1971,
reúne 25 contos de Clarice Lispector. Alguns foram escritos para o Jornal do
Brasil, na época em que a escritora colaborava com a publicação. O ponto de
partida dos contos são acontecimentos banais, cujas repercussões acionam nas
personagens reflexões a respeito da existência.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Clarice Lispector - A Descoberta Do Mundo
A descoberta do mundo é o primeiro trabalho de crônicas de Clarice. Mais
do que ousar em um novo estilo literário, até então incomum em sua
obra, a escritora faz desta publicação um diário de bordo da sua vida:
paixões, histórias, entrevistas, filmes. Enfim, tudo o que participou de
alguma forma de sua existência. São 468 crônicas publicadas aos
sábados no Jornal do Brasil – certos dias agrupam várias delas, pequenas
– entre 1967 e 1973 e, curiosamente, muitas delas poderiam ser
republicadas hoje sem que ninguém percebesse a passagem dos anos.
Algumas reflexões são atuais e atemporais. Personagens e pessoas que
passaram por sua história, como as empregadas Aninha e Jandira, e uma
jornalista, Cristina – ela não cita os sobrenomes –, são retratados em
passagens da memória de Clarice. O livro é dividido em dias, como se
fosse um diário, mas sempre entre realidade e ficção. Esta última, no
entanto, revela com fidelidade as incertezas que cercavam sua enigmática
personalidade.
domingo, 16 de agosto de 2015
Clarice Lispector - Uma Aprendizagem Ou O Livro Dos Prazeres
Aprender a amar e a ser ela mesma é o grande desafio da personagem
Loreley, cujo apelido é Lóri. Para o leitor, o prazer maior é ir
aprendendo aos poucos a conhecer Clarice Lispector, através da
trajetória dessa personagem. Ambientado no Rio de Janeiro, 'Uma
Aprendizagem ou O livro dos Prazeres' conta a história de amor de Lóri e
Ulisses. Lóri é uma moça rica de Campos, principal cidade do Norte
Fluminense, que optou por morar no Rio, onde trabalha como professora
primária e pode desfrutar de uma liberdade impossível em sua cidade
natal. Ulisses é um professor de Filosofia, que conhece Lóri na rua e
aos poucos vai conduzindo-a na aprendizagem do prazer. Loreley é
personagem de uma lenda do folclore alemão, que seduz e enfeitiça os
pescadores. Ulisses é o herói da epopéia grega, que vence os obstáculos
usando a inteligência. As duas personagens de Clarice trazem as
características de seus modelos originais e envolvem o leitor numa trama
que se torna ainda mais apaixonante por ser uma aventura no mundo da
linguagem, sem começo nem fim. A narrativa começa com uma vírgula, como
se fosse a continuação de algo já iniciado, e se encerra com dois
pontos, indicando que a estória prossegue, embora não apareça no livro. Como
em todas as obras de Clarice Lispector, 'Uma Aprendizagem ou O livro
dos Prazeres' é um ponto de vista feminino a respeito da vida. Lóri, na
verdade, é a personagem central, enquanto Ulisses ocupa um papel
secundário, mero referencial para os pensamentos e atitudes de Lóri. O
livro conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si
própria e do prazer sem culpa. Uma viagem na qual Ulisses funciona como
um farol, indicando onde estão os perigos e o caminho correto para a
aprendizagem do amor e da vida.
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sábado, 25 de julho de 2015
Clarice Lispector - A Hora Da Estrela
Entre a realidade e o delírio, buscando o social enquanto sua alma a
engolfava, Clarice escreveu um livro singular. A Hora da Estrela é um
romance sobre o desamparo a que, apesar da linguagem, todos estamos
entregues.
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segunda-feira, 22 de junho de 2015
Clarice Lispector - Aprendendo A Viver
Seleção das crônicas confessionais que a escritora escreveu no Jornal do
Brasil, entre agosto de 1967 e dezembro de 1973. Organizado por Pedro
Karp Vasquez, o livro reúne uma série de textos em que a escritora conta
sua própria vida. É Clarice Lispector na primeira pessoa, detalhando
passagens marcantes de sua história, divagando sobre os temas mais
variados, revelando particularidades de seu cotidiano e esmiuçando seu
processo criativo. A coletânea ajuda a compreender melhor a inigualável
obra literária deixada por Clarice Lispector. No livro, ela conta, por
exemplo, que nunca superou o sentimento de culpa pela morte de sua mãe,
fala das humilhações de que foi vítima na infância, cogita a origem de
sua necessidade de proteção masculina, revela quais foram os livros que
marcaram cada fase de sua vida e rejeita o rótulo de intelectual – “Ser
intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a
intuição, o instinto”.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Maria Goreti Silva Prado - O Ponto De Vista Em Semiótica: Fundamentos Teóricos E Ensaio De Aplicação Em A Hora Da Estrela
A autora defende a hipótese de que o conceito de ponto de vista
em Semiótica diluiu-se no corpo da teoria, porém ressurgiu sob outra
roupagem a partir das reflexões sobre a tensividade. Utilizando como objeto de análise a novela A hora da estrela, de
Clarice Lispector, ela procura estabelecer as origens desse conceito e
seguir seus traços de permanência, verificando ainda como a noção de
ponto de vista substituída pela noção de campo de presença opera em uma
narrativa concreta. A escolha de A hora da estrela de modo algum foi aleatória. Para a
autora, a novela fornece informações relevantes para o enfoque da
pesquisa, por apresentar, por exemplo, uma construção enunciativa
complexa, atravessada por diferentes pontos de vista. A fundamentação teórica empregada na análise é aquela preconizada pela
Semiótica francesa em seus desdobramentos mais atuais, desenvolvidos
principalmente por Claude Zilberberg e Jacques Fontanille. Muito devido
ao trabalho deles, se em um primeiro momento a Semiótica focou-se nos
conteúdos inteligíveis do discurso, atualmente aborda os seus conteúdos
sensíveis, abrindo novas perspectivas para a disciplina.
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