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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Clarice Lispector - O Tempo














Em O Tempo, Clarice Lispector faz aparições. A presença da escritora, como indica o curador Roberto Corrêa dos Santos, mostra-se em forma de frases, enunciados, sensações e pensamentos. O material foi cuidadosamente escolhido em parte da obra da grande escritora. Em um prosseguimento ao que havia iniciado em As Palavras(2013), desta vez o curador coleta frases de Clarice em Minhas queridas, Cartas perto do coração/Fernando Sabino,Clarice Lispector, Laços de família, Felicidade clandestina, O Lustre, A cidade sitiada e A maçã no escuro. O resultado é uma coletânea que retrata, acima de tudo, o modo como pensava Clarice, seu senso de humor refinado e sagaz, suas fraquezas e franqueza. Enfim, sua forma de ver o mundo apresentada por meio de sua melhor aptidão: o texto. “Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que amor.” Ou ainda: “Escrever é respirar dentro da frase. É por algum silêncio nas linhas como nas entrelinhas para que o leitor possa respirar comigo, sem pressa, adaptando-se não só ao seu ritmo como ao meu, numa espécie de contraponto indispensável.” O tempo pode ser lido de forma aleatória, colhendo uma frase aqui ou ali, mas alguns capítulos tornam-se ainda mais interessantes quando lidos de maneira linear. Partes de algumas obras são tão indissociáveis, que o curador optou por um recorte mais longo, como se fossem histórias curtas. Os capítulos estão divididos por livros. As frases foram colhidas na obra que nomeia o capítulo. Não se trata de um resumo, mas de escolhas que representam o fervor das ideias de Clarice. Como descreve o curador: “Em O tempo, a alta Clarice vai além de todo espanto, além de toda beleza: atinge o inatingível, o sobre-humano.” A coletânea é indicada tanto a quem está tendo um primeiro contato com Clarice Lispector quanto para aqueles leitores-especialistas, que irão recordar passagens repletas de sabedoria verbal, plástica, afetiva, filosófica, poética e artística.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Clarice Lispector - Para Não Esquecer














Para a legião de apreciadores de textos curtos e boas frases o livro Para não esquecer, de Clarice Lispector, é leitura obrigatória. A obra — publicada pela primeira vez em 1964 — reúne 108 crônicas que bem poderiam pertencer a um diário. Ora a autora conta uma pequena história, ora ela simplesmente parece pensar alto. "Os homens têm lábios vermelhos e se reproduzem. As mulheres se deformam amamentando", diz, em Aldeia italiana. No final desse curtíssimo artigo, Clarice resume: "A vida é triste e ampla." A cidade de Brasília merece um dos maiores textos desse livro. A primeira parte foi escrita em 1962 e a segunda, 12 anos mais tarde, quando a escritora retornou à capital brasileira. Em ambas ela fala sobre suas impressões com algum carinho e bastante ironia. "Os ratos adoram a cidade. Qual será a comida deles? Ah, já sei: eles comem carne humana."

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domingo, 16 de outubro de 2016

Clarice Lispector - Onde Estivestes De Noite














A coletânea de textos de Onde estivestes de noite, de Clarice Lispector, foi publicada pela primeira vez em 1974. São 17 crônicas trágicas e cômicas, onde as dores e as aflições do cotidiano banal são reveladas ora por descrições angustiadas e delirantes, ora por detalhes bizarros, risíveis, bem-humorados. O texto que dá título ao livro, "Onde estivestes de noite", por exemplo, é uma hipótese, uma visão de um ritual de magia negra ou de uma seita louca qualquer, com a participação de peregrinos fanáticos, uma viagem alucinada, atraente e atemorizante, durante uma noite improvável. Mas tudo aquilo é verdade e existe, garante a autora, quando o dia amanhece, afastando os males e as cenas do inferno, durante uma missa onde os fiéis fazem o sinal-da-cruz: "A manhã estava límpida como coisa recém-lavada", esclarece. Há histórias hilariantes, como a da senhora Jorge B. Xavier, de "A procura de uma dignidade", uma anciã atrapalhada diariamente acometida por um fogo interior. É uma daquelas pessoas que erram o endereço do seminário e que só fazem questão de ir para cumprir o papel de atualizada, mas acaba passando mal de calor ao final do encontro.

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Clarice Lispector - A Maçã No Escuro














Seriam os atos do homem, às vezes os mais cruéis, necessários para elevá-lo à condição de imagem e razão? Em A maçã no escuro , Clarice Lispector faz crer que sim, transformando o atordoado Martim em um novo homem após ter supostamente assassinado a mulher. Fugindo do crime, Martim acaba descobrindo-se como homem, desprezando os antigos valores estabelecidos em sua vida. Na corrida por uma nova existência, ele se revela numa outra condição. Sua fuga, em vez de isolá-lo, remonta à criação do homem, de um novo ser surgido do nada. A narrativa, próxima da criação bíblica, em vez de julgar os personagens culpados ou inocentes, faz deles aprendizes do mundo, onde cada etapa funciona como uma gênese de um ser recém-criado.

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Teresa Montero (Org.) - Clarice Na Cabeceira
















Clarice na cabeceira é uma seleção afetiva de 22 contos de Clarice Lispector feita por leitores que se dedicam a criar "instantes de beleza" em seus trabalhos: são escritores, atrizes, cineastas, cantoras, críticos literários e jornalistas. A frase de Guimarães Rosa ecoa no texto que cada leitor convidado escreveu: "Clarice, eu não leio você para a literatura, mas para a vida." Esta frase tocou tanto a escritora a ponto de ela registrá-la numa crônica em sua coluna no Jornal do Brasil. Clarice Lispector sempre declarou seu amor por aqueles que tinham paciência de esperá-la através da palavra escrita. Ainda em vida, ela recebeu o carinho dos leitores sob diversas formas. Mas quem é esse personagem chamado leitor? Clarice respondeu: "O personagem leitor é um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que inteiramente individual e com reações próprias, é tão terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor."

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Clarice Lispector - Um Sopro De Vida
















Quando a escritora Clarice Lispector terminou Um Sopro de Vida (Pulsações), às vésperas de sua morte, por câncer, em 1977, sabia que este seria o seu livro definitivo. O livro era de fato o sopro de vida de Clarice, que precisava escrever para se sentir viva. Na história, ela fala de um homem aflito que criou uma personagem, Angela Pralini, seu alter-ego. Mas ora ele não se reconhecia em Angela, porque ela era o seu avesso, ora odiava visceralmente o que via refletido naquela estranha personagem-espelho. O autor elabora Angela Pralini, mas ela toma vida própria, surpreendendo e revoltando seu criador com suas diferenças. Um processo de criação, uma relação em que Clarice Lispector revela os conflitos de um autor com seus próprios impulsos e o quanto é doloroso aceitá-los e deixá-los fluir. Ainda que estes impulsos se realizem através de uma personagem, Angela Pralini, criada para libertar o autor de seus fantasmas, cumpre o destino de ser o sopro de vida de um escritor. A questão da vida e da morte atormenta este autor criado por Clarice em seus últimos momentos de vida: 'Se me perguntarem se existe vida além da morte... respondo num hesitante esquema: existe, mas não é dado saber de que forma essa alma viverá... Vida, vida recoberta em um véu de melancolia. Morte: farol que me guia em rumo certo. Sinto-me magnífico e solitário entre a vida e a morte', diz o autor, ao qual responde a personagem Angela Pralini: 'Na hora de minha morte - que é que eu faço? Me ensinem como é que se morre. Eu não sei'.

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Clarice Lispector - A Cidade Sitiada
















O romance se passa na década de 1920 e está ambientado no pouco atraente subúrbio de São Geraldo, onde vive a jovem Lucrécia Neves, remotamente inconformada com a mesmice de um ambiente sem futuro. O confronto entre campo e cidade, presente noutras obras da autora (O lustre,A maçã no escuro e Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres), neste romance é essencial para a caracterização da personagem, dividida entre a vila-refúgio de origem, com aqual mantém remotos laços afetivos, e sonhos de uma metrópole romantizada. Mas a inquietação da moça não vai além disso, pois ela apresenta visível limitação na capacidade de refletir sobre a vida. “Lucrécia Neves talvez quisesse exprimi-lo, imitando com o pensamento o vento que bate portas – mas faltava-lhe o nome das coisas”. Seu modo de apreensão do real se dá pelo olhar, que não chega a se transformar em linguagem, em palavra. O enredo, narrado em terceira pessoa, transcorre linear, em doze capítulos de frases curtas, seguindo as deambulações da protagonista pelas ruas das cidades e pela vida para se exibir e confirmar o que as coisas são em sua aparência. As figuras masculinas, nos flertes e no casamento, são peças do jogo de experimentar estilos de vida. O tenente Felipe em sua farda e poder é, sobretudo, um estrangeiro que deprecia o subúrbio e, assim, a ofende; Perceu Maria, protótipo da beleza, é fraco e “vazio como ela”; o velho Mateus, com quem ela se casa, proporciona a experiência da grande cidade, que não a sacia. Viúva, sobra a promessa de novo casamento, que a afasta da cidade natal em direção a um sítio.

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Clarice Lispector - A Bela E A Fera
















Livro de contos lançado postumamente, reúne seis escritos do período 1940-41 e dois de 1977, pouco antes da morte da autora, ambos falando de escolhas, sentido da vida, solidão e condição feminina. Os textos do primeiro conjunto, ao se debruçarem sobre conturbadas relações amorosas entre homem e mulher, não escondem a atmosfera romântica e certa ingenuidade. Mas ao mesmo tempo trazem discussões que atravessam a ficção clariciana. Lá estão a percepção aguda de dramas familiares e o senso de ironia. A obra convida à leitura retrospectiva. Lado a lado, a escritora madura, em momento de profunda crise devido à doença que a tomava, e a jovem autora, na descoberta do mundo e da ficção. Curioso é que o olhar adulto sobre experiências remotas é simulado em textos juvenis, como “História interrompida”. A narradora recorda a paixão juvenil: um rapaz “moreno e triste”, roupa escura, analítico; ela, jovem perspicaz, inteligente e romântica, de roupa florida, diminuída com a altivez dele, mas já intuindo haver sob aquela soberba um pensamento estéril. A rememoração, forma de compreensão, ou tentativa de, registra a força da acomodação a valores dominantes: “Estou casada e tenho um filho”. A história é retomada com variações em “Obsessão”, também rememória de personagem com origem similar: “Nasci de criaturas simples, instruídas naquela sabedoria que se adquire pela experiência e se adivinha pelo senso comum”. Ela é preparada para “casar, ter filhos e, finalmente, ser feliz”.

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Clarice Lispector - Uma Aprendizagem Ou O Livro Dos Prazeres














Como em todas as obras de Clarice Lispector, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres é um ponto de vista feminino a respeito da vida. Lóri, na verdade, é a personagem central, enquanto Ulisses ocupa um papel secundário, mero referencial para os pensamentos e atitudes de Lóri. O livro conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si própria e do prazer sem culpa. Uma viagem na qual Ulisses funciona como um farol, indicando onde estão os perigos e o caminho correto para a aprendizagem do amor e da vida.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Clarice Lispector - O Lustre














Em O lustre, trafega-se, a maior parte do tempo, pelo mundo interior da protagonista, Virgínia, desde sua infância em um remoto vilarejo do interior até a vida adulta numa cidade grande e solitária. Clarice não permite ao leitor ter completo acesso ao que se passa do lado de fora — a não ser na crua e, talvez, surpreendente cena final. No universo subjetivo da escritora, a única clareza está nos sentimentos. Virgínia ama seu irmão, Daniel, sua alma gêmea, seu senhor. Virgínia ama seu amante, Vicente, a quem conhece tão pouco... A história é contada como num jogo de luzes e sombras, cada parágrafo permitindo apenas antever, de relance, a força sufocante de tanto amor.

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sábado, 19 de março de 2016

Clarice Lispector - Aprendendo A Viver















Clarice Lispector tem o poder de encantar sucessivas gerações de leitores. Sua obra conquista mais leitores, num número crescente de países, comprovando que seu legado literário está mais vivo do que nunca, falando ao coração de muitos milhares de pessoas que ainda não eram nascidas quando ela faleceu, em 1977. Leitores jovens, de ambos os sexos e das mais diferentes culturas, que comprovam a universalidade e a imperecibilidade de seu legado literário. Aprendendo a viver imagens é uma compilação de fotos inéditas do acervo pessoal da família de Clarice e trechos de sua elogiada obra. Organizado pela professora e biógrafa da autora, Teresa Montero, e pelo fotógrafo Luiz Ferreira, as fotografias selecionadas para o livro mostram Clarice em todas as fases de sua vida, da infância até a década de 70.

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quinta-feira, 10 de março de 2016

Clarice Lispector - Perto Do Coração Selvagem














A vida de Joana é contada desde a infância até a idade adulta através de uma fusão temporal entre o presente e o passado. A infância junto ao pai, a mudança para a casa da tia, a ida para o internato, a descoberta da puberdade, o professor ensinando-lhe a viver, o casamento com Otávio. Todos estes fatos passam pela narrativa, mas o que fica em primeiro plano é a geografia interior de Joana. Ela parece estar sempre em busca de uma revelação. Inquieta, analisa instante por instante, entrega-se àquilo que não compreende, sem receio de romper com tudo o que aprendeu e inaugurar-se numa nova vida. Ela se faz muitas perguntas, mas nunca encontra a resposta.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Benjamin Moser - Clarice,














Biografia de Clarice Lispector, escrita pelo norte-americano Benjamim Moser, a obra revela aspectos fundamentais na trajetória da escritora, desde a origem miserável e violenta na Ucrânia – para onde o autor viajou – ao reconhecimento internacional. A partir dessa pesquisa, Moser tece relações entre a vida e a obra da brasileira.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Roberto Correa Dos Santos (Org.) - As Palavras De Clarice Lispector














Mergulhar em As palavras, livro que reúne fragmentos da obra de Clarice Lispector, com curadoria de Roberto Corrêa dos Santos, é quase como presenciar uma declaração dupla de amor. Amor do acadêmico e pesquisador pela obra de Clarice, que transparece na seleção das frases, pinçadas com o intuito de revelar a genialidade da escrita da autora e de inserir o leitor em seu universo poético. E amor de Clarice pela vida, pela busca incessante em tentar expressar em palavras aquilo que parece indizível: os sentimentos, o mundo interior. A seleção inclui todo tipo de escrita realizada pela autora. Há desde trechos de romances, contos e crônicas, até cartas e anotações pessoais. Apesar de não cobrir toda a obra da escritora, o livro dá conta de boa parte dela. As frases revelam Clarice em diferentes etapas de sua vida, já que estão presentes trechos de seu romance de estreia, Perto do coração selvagem, escrito quando ela tinha apenas 19 anos, até fragmentos de seu último livro, Um sopro de vida, publicado postumamente em 1978. A leitura da sucessão de frases traz a impressão de que estamos diante da fala da própria autora, de suas crenças sobre a vida. Mas, ao mesmo tempo, aproxima o leitor do que está sendo dito, favorece a identificação. “Tempo para mim significa a desagregação da matéria”, afirma a narradora de Um sopro de vida. “Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”, diz o narrador de A hora da estrela. “A atualidade sou eu sempre no já”, revela um dos trechos de Água viva.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Clarice Lispector - Felicidade Clandestina E Outros Contos














O livro Felicidade Clandestina, lançado em 1971, reúne 25 contos de Clarice Lispector. Alguns foram escritos para o Jornal do Brasil, na época em que a escritora colaborava com a publicação. O ponto de partida dos contos são acontecimentos banais, cujas repercussões acionam nas personagens reflexões a respeito da existência.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Clarice Lispector - A Descoberta Do Mundo














A descoberta do mundo é o primeiro trabalho de crônicas de Clarice. Mais do que ousar em um novo estilo literário, até então incomum em sua obra, a escritora faz desta publicação um diário de bordo da sua vida: paixões, histórias, entrevistas, filmes. Enfim, tudo o que participou de alguma forma de sua existência. São 468 crônicas publicadas aos sábados no Jornal do Brasil – certos dias agrupam várias delas, pequenas – entre 1967 e 1973 e, curiosamente, muitas delas poderiam ser republicadas hoje sem que ninguém percebesse a passagem dos anos. Algumas reflexões são atuais e atemporais. Personagens e pessoas que passaram por sua história, como as empregadas Aninha e Jandira, e uma jornalista, Cristina – ela não cita os sobrenomes –, são retratados em passagens da memória de Clarice. O livro é dividido em dias, como se fosse um diário, mas sempre entre realidade e ficção. Esta última, no entanto, revela com fidelidade as incertezas que cercavam sua enigmática personalidade.

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domingo, 16 de agosto de 2015

Clarice Lispector - Uma Aprendizagem Ou O Livro Dos Prazeres














Aprender a amar e a ser ela mesma é o grande desafio da personagem Loreley, cujo apelido é Lóri. Para o leitor, o prazer maior é ir aprendendo aos poucos a conhecer Clarice Lispector, através da trajetória dessa personagem. Ambientado no Rio de Janeiro, 'Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres' conta a história de amor de Lóri e Ulisses. Lóri é uma moça rica de Campos, principal cidade do Norte Fluminense, que optou por morar no Rio, onde trabalha como professora primária e pode desfrutar de uma liberdade impossível em sua cidade natal. Ulisses é um professor de Filosofia, que conhece Lóri na rua e aos poucos vai conduzindo-a na aprendizagem do prazer. Loreley é personagem de uma lenda do folclore alemão, que seduz e enfeitiça os pescadores. Ulisses é o herói da epopéia grega, que vence os obstáculos usando a inteligência. As duas personagens de Clarice trazem as características de seus modelos originais e envolvem o leitor numa trama que se torna ainda mais apaixonante por ser uma aventura no mundo da linguagem, sem começo nem fim. A narrativa começa com uma vírgula, como se fosse a continuação de algo já iniciado, e se encerra com dois pontos, indicando que a estória prossegue, embora não apareça no livro. Como em todas as obras de Clarice Lispector, 'Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres' é um ponto de vista feminino a respeito da vida. Lóri, na verdade, é a personagem central, enquanto Ulisses ocupa um papel secundário, mero referencial para os pensamentos e atitudes de Lóri. O livro conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si própria e do prazer sem culpa. Uma viagem na qual Ulisses funciona como um farol, indicando onde estão os perigos e o caminho correto para a aprendizagem do amor e da vida.

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sábado, 25 de julho de 2015

Clarice Lispector - A Hora Da Estrela














Entre a realidade e o delírio, buscando o social enquanto sua alma a engolfava, Clarice escreveu um livro singular. A Hora da Estrela é um romance sobre o desamparo a que, apesar da linguagem, todos estamos entregues.

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Clarice Lispector - Aprendendo A Viver














Seleção das crônicas confessionais que a escritora escreveu no Jornal do Brasil, entre agosto de 1967 e dezembro de 1973. Organizado por Pedro Karp Vasquez, o livro reúne uma série de textos em que a escritora conta sua própria vida. É Clarice Lispector na primeira pessoa, detalhando passagens marcantes de sua história, divagando sobre os temas mais variados, revelando particularidades de seu cotidiano e esmiuçando seu processo criativo. A coletânea ajuda a compreender melhor a inigualável obra literária deixada por Clarice Lispector. No livro, ela conta, por exemplo, que nunca superou o sentimento de culpa pela morte de sua mãe, fala das humilhações de que foi vítima na infância, cogita a origem de sua necessidade de proteção masculina, revela quais foram os livros que marcaram cada fase de sua vida e rejeita o rótulo de intelectual – “Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto”.

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Maria Goreti Silva Prado - O Ponto De Vista Em Semiótica: Fundamentos Teóricos E Ensaio De Aplicação Em A Hora Da Estrela














A autora defende a hipótese de que o conceito de ponto de vista em Semiótica diluiu-se no corpo da teoria, porém ressurgiu sob outra roupagem a partir das reflexões sobre a tensividade. Utilizando como objeto de análise a novela A hora da estrela, de Clarice Lispector, ela procura estabelecer as origens desse conceito e seguir seus traços de permanência, verificando ainda como a noção de ponto de vista substituída pela noção de campo de presença opera em uma narrativa concreta. A escolha de A hora da estrela de modo algum foi aleatória. Para a autora, a novela fornece informações relevantes para o enfoque da pesquisa, por apresentar, por exemplo, uma construção enunciativa complexa, atravessada por diferentes pontos de vista. A fundamentação teórica empregada na análise é aquela preconizada pela Semiótica francesa em seus desdobramentos mais atuais, desenvolvidos principalmente por Claude Zilberberg e Jacques Fontanille. Muito devido ao trabalho deles, se em um primeiro momento a Semiótica focou-se nos conteúdos inteligíveis do discurso, atualmente aborda os seus conteúdos sensíveis, abrindo novas perspectivas para a disciplina.

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