O desenvolvimento da reflexão filosófica que se realizou no período
delimitado pelas obras de Kant e de Hegel é um dos mais importantes da
história da filosofia. Neste contexto resulta de especial interesse a
questão do sentido e valor da metafísica: a crítica de Kant à metafísica
abriu para o pensamento filosófico novos horizontes na medida em que
colocou uma série de questões complexas que não puderam ser desde então
arquivadas e esquecidas. Agora, no período filosófico que se inicia com a
reviravolta crítica de Kant e chega até o sistema enciclopédico de
Hegel se voltou a introduzir novamente a metafísica, quer seja em forma
subreptícia ou em forma deliberada? Ou mais bem, a filosofia que surge
na Alemanha a partir de Kant assimila, apesar das modificações de
perspectiva e de método que introduz, o impulso crítico do enfoque
kantiano, conseguindo inclusive amplia-lo e aprofunda-lo? Se isto fosse
certo: Quais são as potencialidades filosóficas implicadas no itinerário
intelectual de Kant a Hegel no que diz respeito a um modo de pensar
pós-metafísico que, no entanto, não quer permanecer nas estreitas
margens do positivismo e do naturalismo? Quais poderiam ser os aportes
desta nova forma de pensar os debates contemporâneos em torno das
questões fundamentais da filosofia?
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