O presente livro busca compreender, à luz da biopolítica, o fenômeno da
guerra ao terror. Sob este aspecto, já passados sete anos desde a defesa
pública deste trabalho, a realidade nele (d)enunciada não se modificou.
Antes, resta confirmada, na forma de uma permanência negativa, aquilo
que nele se buscou evidenciar. Mudaram os governantes que deram causa à
guerra ao terror, mas seus Estados continuam atolados até hoje na
carnificina em que eles mesmos se meteram, sendo este quadro
completamente incompatível com as pretensões emancipatórias que o
Ocidente um dia ergueu para si. Com efeito, o fim último sobre o qual a
sociedade ocidental se constituiu foi o de alcançar, por intermédio de
sua organização político-social, o viver bem. Todos os institutos por
ela engendrados – política, constituição, direitos humanos, democracia,
direito de guerra e humanitário, ciência etc – deveriam, portanto,
concretizar este fim, na medida em que, para o homem, o só viver não
basta: ele almeja a felicidade enquanto ser dotado de racionalidade
(rectius: linguagem). Contudo, uma das promessas mais propaladas pela
modernidade foi a de propiciar a todo homem segurança e desenvolvimento.
Com isto, a política – entendida na sociedade antiga como ação entre
homens, e que se constituía na meta última de todo homem livre – se
torna secundária em face às necessidades da vida, passando a se
caracterizar como um poder que se exerce sobre os homens.
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