Escritas
na fina linha que entrelaça a filosofia e a letra, e a fenomenologia e o
estruturalismo, estas páginas articulam um desvio digno do gesto mesmo
de filosofar, a saber, desovar a passagem entre o conceito de
multiplicidade em Bergson e o invisível em Merleau-Ponty, sem caminhar
pelo agenciamento já conhecido de Deleuze. A proposta deste livro é uma
escrita sobre ontologia, uma ontologia, conforme a subtítulo dado por
sua autora, Vanessa Nicola Labrea, “sem consciência”. Que esta ontologia
seja sem “consciência” implique simplesmente que esta segunda
categoria, por mais que serve a individualizar o sujeito humano, não
consegue conter o processo difuso, descontínuo e dinâmico que é o
pensamento. A consciência é boa para a normalização: não serve mais por
uma filosofia crítica e criativa. Daí vem todo o rigor exigido pelo
trabalho conceptual, especialmente aquele que articula um tratamento do
princípio da “não identidade a si”, sendo que este tratamento não faz
concessões ao inefável nem tampouco aos demais para-espiritualismos.
Tecidas por intensidades, as singularidades necessárias para realizar o
projeto de VNL surgem onde a lógica clássica aparece como mero servente
da normalidade cognitiva. Desta forma, este livro mostra com verve que,
aquém da argumentação, a filosofia, tal como a verdade, depende da
criação ativa no e pelo discurso racional.
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