O programa de sequenciamento (ou leitura) do genoma humano e o
impacto da descoberta do chamado "livro da vida" na cultura popular está
no centro deste trabalho, que procura, com uma abordagem de matriz
antropológica, desvendar o processo de "fetichização" desenvolvido pela
mídia em torno do assunto. O autor percorre o encadeamento de ideias que permitiu a ampla
divulgação dos acontecimentos em torno do sequenciamento do genoma
humano, e acompanha com isenção as notícias sobre o tema produzidas e
articuladas pela mídia impressa, representada no livro pelo jornal Folha
de São Paulo. Segundo ele, o entusiasmo - observado em escala global - foi nutrido
pela presunção de que o conhecimento pormenorizado do genoma humano
poderia, em curto prazo, oferecer respostas satisfatórias para um grande
número de problemas relacionados à saúde, à longevidade e ao
funcionamento da vida social. Os "fantásticos benefícios" das novas descobertas científicas
alardeadas pela mídia ganhariam a dimensão, segundo o autor, de uma
verdadeira "cultura genetocêntrica", isto é, de elemento explicador de
praticamente tudo: da doença ao amor, do tempo de vida individual ao
homicídio ocorrido em algum canto da cidade.
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