Escrito em 1967 no campo de concentração do Tarrafal (crismado de "Campo
de Trabalho de Chão Bom") em apenas uma semana — "de um só jacto", para
usar as palavras do próprio autor —, Nós, os do Makulusu continua a
ser a obra de José Luandino Vieira mais complexa no seu processo de
construção de uma linguagem literária com base na linguagem popular de
Luanda e das interferências entre as línguas portuguesa e quimbunda. A
isso não será certamente alheio o facto de, a par do fluxo do passado —
uma constante em todos os seus livros —, o futuro ser também chamado à
narrativa, obviamente sob forma prospectiva.
Uma narrativa cujo sujeito, interrogando-se até à última linha, é afinal
o espelho de uma geração frente à necessidade histórica de uma guerra
de libertação — individual e colectiva — e a que coube questionar o
passado e partir à invenção do futuro.
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