No dia 27 de dezembro de 1878, Machado de Assis e sua mulher viajaram
sob recomendação médica para a Vila de Nova Friburgo, com seus quase mil
metros de altitude, para que ele se recuperasse de uma inflamação nos
olhos (retinite), da estafa e da insônia que lhe acometia. É nesse
clima, “no cimo da montanha” que é gestado Memórias póstumas de Brás
Cubas, que se mostraria revolucionário, cá embaixo. Passados mais de 130 anos de sua publicação, a narrativa continua a
desafiar os mais argutos críticos e analistas, na tentativa de mapear a
sua gênese e complexidade ficcional, com personagens bem delineados,
“vivos”, e significados subentendidos. Pela primeira vez, em nossas
letras, uma obra problematiza o homem e o mundo com forte viés
pessimista, segundo José Guilherme Merquior.

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