Trinta e seis anos depois, a história de Philip Roth sobre o rapaz oprimido pela mãe judia segue vigorosa. Quando foi lançado, em 1969, “O Complexo de Portnoy” causou polêmica.
Nem poderia ser diferente. Em plena época da liberação sexual, o autor
Philip Roth apareceu com um livro em que a masturbação é a válvula de
escape da sexualidade do personagem e deixa transparecer em suas páginas
temas como o complexo de Édipo e até um incesto virtual. “O Complexo de Portnoy” não envelheceu. O drama do rapaz dominado
pela mãe, uma tradicional matriarca judia, permanece com seu vigor
inalterado e apresenta uma envolvente narrativa em primeira pessoa.
Alexander Portnoy, agora com 30 anos, conta ao psicanalista as agruras
da marcação implacável que sofria de sua mãe, da qual eram vítimas
também o pai, um inofensivo vendedor de seguros, e a irmã mais velha. Philip Roth imprime um tom bem-humorado que eventualmente provoca
gargalhadas, mesmo que o sabor final seja amargo. Mas é na discussão das
relações opressivas, representadas pela claustrofóbica presença
materna, que reside a força do livro. As conseqüências que a formação
sexual confusa e o complexo de Édipo irão ter na vida adulta de Alex são
perturbadoras. É o que torna esse livro mais atual do que nunca. O
inimigo é a mãe.

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