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domingo, 13 de novembro de 2016

Philip Roth - Zuckerman Acorrentado: 3 Romances E 1 Epílogo














Nathan Zuckerman não é um escritor de levar desaforo para casa. E não são poucos os desaforos e despropósitos que desde o início de sua carreira ele é obrigado a ouvir. Justo ele, que sempre pretendeu ser um escritor sério, com preocupações morais elevadas, na linha de Thomas Mann. Porém, como Zuckerman sabe, seu forte é a comédia -, em especial, as piadas de judeu. E o establishment judaico não o perdoa por isso. Nem seu pai, nem seu irmão caçula e, em certa medida, nem ele próprio. Em Zuckerman acorrentado, Philip Roth conta a saga desse escritor. São três romances - O escritor fantasma, Zuckerman libertado e A lição de anatomia - publicados pelo escritor entre 1979 e 1984 e que, um ano depois, foram reunidos em um volume único, em que está incluída a novela A orgia de Praga, que serve de epílogo à trilogia. São quatro narrativas distintas, porém ligadas por um fio condutor: Nathan Zuckerman, neto de judeus poloneses que emigraram para os Estados Unidos no início do século XX, é um escritor obcecado pelos judeus e por suas histórias. Mas não pelos judeus que permaneceram na Europa e foram dizimados pelos nazistas, nem pelos que partiram para a Palestina para se dedicar heroicamente à construção da pátria judaica. Não, os judeus que interessam a Zuckerman são as pessoas com as quais ele conviveu na infância e na adolescência, judeus que moram nas ruas arborizadas, tranquilas e banais dos bairros de classe média das grandes cidades americanas, judeus cuja experiência de vida se inscreve não na tragédia do Holocausto, mas na realidade bem mais comezinha de uma sociedade caracterizada pelo apreço à democracia e à liberdade - e movida por um consumismo desenfreado. Acontece que, para complicar as coisas, Zuckerman é um escritor de mão-cheia, capaz de conferir a suas narrativas o brilho e a efervescência da vida real. E os leitores - dos mais ingênuos aos mais tarimbados críticos literários - acreditam piamente nelas, esquecendo-se de que estão diante de obras de ficção. De modo que um pequeno conto que o jovem Zuckerman escreve aos 23 anos, baseado num episódio burlesco ocorrido com familiares seus, é imediatamente visto como um ataque difamatório a seu próprio povo, uma incompreensível tentativa de expor os judeus ao ridículo, comparável, no frigir dos ovos, às maledicências antissemitas de Goebbels. E, anos depois, com a publicação de um livro escandaloso que cai como uma luva no espírito libertário dos anos 1960, as censuras à sua ficção ganham contornos ainda mais absurdos - dizem até que são as revelações picantes contidas nesse livro que provocam um enfarte em seu pai. Dotado de uma índole em que, como acontece com tantos personagens de Roth, a indignação vem logo à tona, Zuckerman responde ao disparate das críticas com invenções verbais cada vez mais iradas, extravagantes e engraçadas. Mas paga caro por isso.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Philip Roth - O Complexo De Portnoy














Trinta e seis anos depois, a história de Philip Roth sobre o rapaz oprimido pela mãe judia segue vigorosa. Quando foi lançado, em 1969, “O Complexo de Portnoy” causou polêmica. Nem poderia ser diferente. Em plena época da liberação sexual, o autor Philip Roth apareceu com um livro em que a masturbação é a válvula de escape da sexualidade do personagem e deixa transparecer em suas páginas temas como o complexo de Édipo e até um incesto virtual. “O Complexo de Portnoy” não envelheceu. O drama do rapaz dominado pela mãe, uma tradicional matriarca judia, permanece com seu vigor inalterado e apresenta uma envolvente narrativa em primeira pessoa. Alexander Portnoy, agora com 30 anos, conta ao psicanalista as agruras da marcação implacável que sofria de sua mãe, da qual eram vítimas também o pai, um inofensivo vendedor de seguros, e a irmã mais velha. Philip Roth imprime um tom bem-humorado que eventualmente provoca gargalhadas, mesmo que o sabor final seja amargo. Mas é na discussão das relações opressivas, representadas pela claustrofóbica presença materna, que reside a força do livro. As conseqüências que a formação sexual confusa e o complexo de Édipo irão ter na vida adulta de Alex são perturbadoras. É o que torna esse livro mais atual do que nunca. O inimigo é a mãe.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Philip Roth - O Animal Agonizante














Philip Roth apresenta uma novela protagonizada pelo personagem surgido em 1973, na novela O seio, e retomado em 1977 no romance O professor de desejo. O animal agonizante é a história de David Kepesh, professor aposentado que faz sucesso com um programa cultural na televisão e que todos os anos oferece um curso livre na universidade, em que sempre conquista namoradas com um terço de sua idade. Seu discurso – dirigido a um interlocutor que só no final se manifesta – é uma afirmação de seu sentimento de liberdade e de seu horror a todo vínculo emocional. Mas o egoísmo calculista de Kepesh não resiste à paixão que o domina quando conhece Consuela Castillo, jovem de vinte e quatro anos, filha de uma rica família de imigrantes cubanos, cuja beleza excepcional faz com que sinta bem mais do que atração sexual. Depois de um ano e meio de relacionamento os dois se separam, mas Kepesh continua obcecado. Anos mais tarde, Consuela o procura para lhe fazer uma revelação trágica. Kepesh se vê então dividido entre os imperativos da razão, que não permitem que se envolva, e a força da paixão que o impele a assumir uma relação mais séria com uma mulher. A força do texto está no contraste entre as racionalizações rígidas de um homem autocentrado e o poder da paixão que irrompe, imprevisível, destruindo suas certezas.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Philip Roth - Teatro De Sabbath














A sessenta anos do Trópico de câncer, de Henry Miller, e a quase trinta do Complexo de Portnoy, do próprio Roth, não é nada fácil quebrar recordes de obscenidade. Comparada a O teatro de Sabbath, a literatura erótica ainda precisa aprender muita coisa. Virtuosístico e desbragado, este romance de Phillip Roth apresenta ao leitor o sexagenário Mickey Sabbath, artista de fantoches aposentado. Entre o sexo e a morte, Sabbath vai resistindo a tudo o que no mundo apaga nossa incandescência. E Phillip Roth, no auge de sua carreira, realiza uma façanha de virtuosismo erótico e dramático. Entre as perguntas que o livro sugere está descobrir até que ponto é possível escrever o sexo. O erótico e o humano se confundem, de modo comovente, neste romance que fala ainda mais quando não há o que falar.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Philip Roth - O Complexo De Portnoy














A narrativa de Alexander Portnoy, jovem advogado nova-iorquino, é uma longa confissão no divã do psicanalista. Como desde o início fica bem claro, Portnoy é dotado não apenas de uma inteligência privilegiada como também de uma capacidade ilimitada de encarar a si mesmo com realismo e ironia. Contudo, o narrador-protagonista é totalmente incapaz de se livrar da ligação paralisante com a mãe, identificada logo de saída como "o personagem mais inesquecível que conheci na minha vida". Portnoy discorre alternadamente sobre o passado - a infância de filhinho da mamãe, a adolescência dedicada acima de tudo à prática da masturbação e a tentativas frustradas de perder a virgindade - e sua vida atual - o relacionamento conflituoso com a amante bela porém semi-analfabeta, a separação e uma viagem a Israel que termina com a descoberta de que ele está impotente.

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