Este livro reúne três conferências pronunciadas por Eco em 1990 em
Cambridge seguidas das comunicações de Rorty, Culler e Brooke-Rose e de
uma réplica do autor a estes debatedores. O tema do colóquio é a
interpretação e seus limites, ou seja: até que ponto o leitor deve se
ater, no ato interpretativo, ao que o texto quer dizer, até que ponto
ele pode desconstrui-lo, “se desgarrando” por completo das ideias do
autor. Usando o instrumental da ciência semiótica (vide o Tratado Geral e
outros livros), e sua vasta cultura clássica (Arte e Beleza na Estética
Medieval), Umberto Eco(1932) – semiólogo, escritor e filósofo -
responde à questão acima aprofundando a diferença entre “interpretar” e
“usar”, já firmada em Lector in Fabula de 1979. “Interpretar” é dialogar
com o texto, captar o que ele diz, mas também preencher os seus vazios e
se posicionar criticamente perante as suas ideias; já “usar” é
desconsiderar as intenções do texto e, de certa forma, partir para uma
livre-associação de ideias bem ao gosto do leitor. Neste caso, ocorre a
superinterpretação. As três conferências deste livro servem justamente
para o autor demarcar com mais precisão as fronteiras entre interpretar e
superinterpretar, e ele o faz astuciosamente mostrando que certas
teorias atuais confundem uma coisa e outra.

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