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sábado, 3 de setembro de 2016

Umberto Eco - Interpretação E Superinterpretação














Este livro reúne três conferências pronunciadas por Eco em 1990 em Cambridge seguidas das comunicações de Rorty, Culler e Brooke-Rose e de uma réplica do autor a estes debatedores. O tema do colóquio é a interpretação e seus limites, ou seja: até que ponto o leitor deve se ater, no ato interpretativo, ao que o texto quer dizer, até que ponto ele pode desconstrui-lo, “se desgarrando” por completo das ideias do autor. Usando o instrumental da ciência semiótica (vide o Tratado Geral e outros livros), e sua vasta cultura clássica (Arte e Beleza na Estética Medieval), Umberto Eco(1932) – semiólogo, escritor e filósofo - responde à questão acima aprofundando a diferença entre “interpretar” e “usar”, já firmada em Lector in Fabula de 1979. “Interpretar” é dialogar com o texto, captar o que ele diz, mas também preencher os seus vazios e se posicionar criticamente perante as suas ideias; já “usar” é desconsiderar as intenções do texto e, de certa forma, partir para uma livre-associação de ideias bem ao gosto do leitor. Neste caso, ocorre a superinterpretação. As três conferências deste livro servem justamente para o autor demarcar com mais precisão as fronteiras entre interpretar e superinterpretar, e ele o faz astuciosamente mostrando que certas teorias atuais confundem uma coisa e outra.

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