Na juventude, o escritor israelense Amós Oz viveu em um kibutz – uma
fazenda coletiva. Hoje, ele mora em Arad, pequena cidade do Deserto de
Negev. A experiência da vida em localidades pequenas e isoladas
transparece nesta coletânea – sete dos oito contos têm lugar em uma
aldeia fictícia, Tel Ilan. Não é uma visão compassiva: são contos muitas
vezes amargos, com personagens que buscam a aldeia não pela suposta
vida simples do interior, mas para se refugiar de vilezas e
mesquinharias do passado. Um dos maiores escritores de seu país, Oz, de
70 anos, é conhecido como uma personalidade atuante – e uma voz moderada
– no conturbado cenário político de Israel. Mas se irrita com os
críticos que tentam ler alegorias políticas em seus contos: “A ação do
livro transcorre em Israel, mas ele não trata da condição israelense, e
sim da condição humana”, disse em entrevista ao jornal Haaretz.
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domingo, 5 de junho de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
Amós Oz - O Mesmo Mar
Neste romance introspectivo e poético, as guerras, como de hábito na
literatura de Amós Oz, estão presentes. Aqui, contudo, elas não são
guerras de quem pega em armas, mas guerras da intimidade. Exemplo disso é
o próprio Oz, que no livro aparece no papel de um escritor e faz
referência a uma tragédia pessoal: o suicídio de sua mãe, quando ele
tinha doze anos. A trama acompanha o entrelaçamento de triângulos amorosos. O principal
deles gira em torno de Albert Danon, um viúvo sexagenário. Seu filho,
Rico, após a morte da mãe, parte para o Tibete em busca de paz interior.
Durante sua ausência, a namorada, Dita, aproxima-se do sogro idoso em
busca de proteção, mas a relação acaba assumindo caminhos inesperados. O mesmo mar surpreende antes de tudo pelo alto grau de elaboração
literária, pela profusão e riqueza de suas formas. O enredo vai se
revelando numa sequência de seções curtas, compostas às vezes no tom
casual e ameno das conversas de todo dia, às vezes como parábola
bíblica, fábula, sonho ou poema. O mundo em que vivem as personagens de
Amós Oz é barulhento, mas o romance, paradoxalmente, cria um intimismo
que convida os leitores a se concentrarem no que elas estão dizendo.
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