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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Bernardo Mançano Fernandes - Lutas Camponesas Contemporâneas: Condições, Dilemas E Conquistas Vol. I














Apresentamos aos leitores – especialmente aos militantes camponeses, aos interessados e aos estudiosos da questão camponesa no Brasil – uma obra que é o resultado de um fantástico esforço intelectual e coletivo. A elaboração da História Social do Campesinato no Brasil envolveu grande número de estudiosos e pesquisadores dos mais variados pontos do país, num esforço conjunto, planejado e articulado, que resulta agora na publicação de dez volumes retratando parte da história, resistências, lutas, expressões, diversidades, utopias, teorias explicativas, enfi m, as várias faces e a trajetória histórica do campesinato brasileiro. A idéia de organizar uma História Social do Campesinato no Brasil afl orou no fi m de 2003, durante os estudos e os debates para a elaboração de estratégias de desenvolvimento do campesinato no Brasil que vinham sendo realizados desde meados desse ano por iniciativa do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), com envolvimento, em seguida, da Via Campesina Brasil, composta, além de pelo próprio MPA, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pelo Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pela Pastoral da Juventude Rural (PJR), pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e pela Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (Feab).

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Bernardo Mançano Fernandes, Leonilde Servolo De Medeiros & Maria Ignez Paulilo (Orgs.) - Lutas Camponesas Contemporâneas: Condições, Dilemas E Conquistas Vol. II














A coletânea Lutas camponesas contemporâneas: condições, dilemas e conquistas da História Social do Campesinato oferece compreensão mais ampla do mundo cultural, político, econômico e social em que o camponês produz e se reproduz. Neste segundo volume, quinze artigos mostram como as lutas camponesas nas diferentes regiões do Brasil se transformam em espaços de resistência e de luta contra a desterritorialização. Abordando conflitos desde a expulsão dos posseiros da Reserva Indígena de Nonoai, no Rio Grande do Sul, em maio de 1978, até o começo do século XXI, estes trabalhos partem de variada inspiração teórica e se valem de amplo contexto empírico concreto e dados etnográficos. Ampliando os horizontes possíveis para a análise, recuperam e atualizam leituras de algumas das formas de resistência e de recriação do campesinato. Discutem-se aqui questões como as implicações e a continuidade das desigualdades de gênero e a repressão sexual, a reforma agrária de mercado, as formas de organizações criadas no processo de luta, assim como as complexas redes e articulações existentes nos acampamentos e em outros espaços de resistência.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Bernardo Mançano Fernandes & Carlos Walter Porto Gonçalves (Orgs.) - Josué De Castro: Vida E Obra














Josué Apolônio de Castro (1908, Recife/PE – 1973, Paris/França). Foi médico, geógrafo e antropólogo. Seu legado reside em compreender a fome como resultado da exploração econômica, como produto da dominação política, como conseqüência da injustiça, como dependência, como alienação – a fome era [e é] um fenômeno social – “não era só do Mocambo, não era só do Recife, nem só do Brasil, nem só do continente. Era um problema mundial, um drama universal”. Para ele, a fome não era produto de causas ou fatores naturais; era, sim, “produto de fatores sociais, conseqüência de estruturas econômicas defeituosas” – a fome era [e é] resultado do sistema capitalista – sendo mais acentuada nos países subdesenvolvidos. A única saída possível para resolver esse flagelo implica em mudanças nas condições sanitárias e alimentares dos povos em desenvolvimento, mudanças nas estruturas econômicas e sociais em cada país. Somente com mudanças estruturais, com uma revolução social podem-se criar condições objetivas para resolver o problema da fome no mundo. Ou, como diz Anna Maria de Castro: “Se aceitarmos a teoria de Florestan Fernandes de que as idéias e as categorias do pensamento científico se convertem em outra coisa, que é preciso que se liguem de um modo ou de outro com as atividades sociais, por meio das quais os homens criam e modificam socialmente a história de seus países, de seus continentes e de seus filhos, Josué de Castro foi e continuará sendo um grande cientista. Um tipo de cientista que tentou criar uma teoria explicativa para a triste realidade do subdesenvolvimento, da pobreza, da miséria e que tentou modificar socialmente a história de seu país. É este homem que o Brasil de hoje precisa deixar de ignorar.”

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