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sábado, 2 de abril de 2016

Josué De Castro - Sete Palmos De Terra E Um Caixão














Era maio de 1964, um dos intelectuais brasileiros mais conhecidos no mundo se preparava para viver o exílio na França. As suas atividades como embaixador em Genebra foram interrompidas em meio a Conferência Mundial pelo Desarmamento, devido a cassação dos seus direitos políticos, publicados no Ato Institucional Nº 1. Durante os dois últimos anos Josué de Castro havia desenvolvido pesquisas sobre as  mudanças políticas e sociais ocorridas na região Nordeste que tinham como foco a década de 1950 e início dos anos 1960. A sua obra receberia mais um livro: Sete Palmos de Terra e um Caixão, que contou com a colaboração de vários intelectuais e políticos entre eles Alberto  Passos Guimarães e Francisco Julião. Durante as primeiras páginas, no prefácio intitulado “Explicações”, Josué de Castro relata que o livro foi produzido antes do Golpe civil-militar de 1º de abril e que nada melhor para explicar “os fatos ocorridos recentemente, do que o conhecimento dos antecedentes históricos desta região explosiva e da sua interpretação sociológica”.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Bernardo Mançano Fernandes & Carlos Walter Porto Gonçalves (Orgs.) - Josué De Castro: Vida E Obra














Josué Apolônio de Castro (1908, Recife/PE – 1973, Paris/França). Foi médico, geógrafo e antropólogo. Seu legado reside em compreender a fome como resultado da exploração econômica, como produto da dominação política, como conseqüência da injustiça, como dependência, como alienação – a fome era [e é] um fenômeno social – “não era só do Mocambo, não era só do Recife, nem só do Brasil, nem só do continente. Era um problema mundial, um drama universal”. Para ele, a fome não era produto de causas ou fatores naturais; era, sim, “produto de fatores sociais, conseqüência de estruturas econômicas defeituosas” – a fome era [e é] resultado do sistema capitalista – sendo mais acentuada nos países subdesenvolvidos. A única saída possível para resolver esse flagelo implica em mudanças nas condições sanitárias e alimentares dos povos em desenvolvimento, mudanças nas estruturas econômicas e sociais em cada país. Somente com mudanças estruturais, com uma revolução social podem-se criar condições objetivas para resolver o problema da fome no mundo. Ou, como diz Anna Maria de Castro: “Se aceitarmos a teoria de Florestan Fernandes de que as idéias e as categorias do pensamento científico se convertem em outra coisa, que é preciso que se liguem de um modo ou de outro com as atividades sociais, por meio das quais os homens criam e modificam socialmente a história de seus países, de seus continentes e de seus filhos, Josué de Castro foi e continuará sendo um grande cientista. Um tipo de cientista que tentou criar uma teoria explicativa para a triste realidade do subdesenvolvimento, da pobreza, da miséria e que tentou modificar socialmente a história de seu país. É este homem que o Brasil de hoje precisa deixar de ignorar.”

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sábado, 5 de dezembro de 2015

Josué De Castro - Geografia Da Fome














Nessa obra, o autor realizou um intenso trabalho no sentido de mapear toda a distribuição e concentração da fome no Brasil. O resultado foi a derrubada de alguns mitos: de que a fome decorria de influências climáticas ou de que tal processo era culpa da improdutividade da população que optava pelo ócio, argumentos bastante populares ainda hoje. O autor dividiu o país em cinco regiões conforme as características alimentares de cada uma delas. Analisou as características naturais, bem como alguns processos históricos, como a colonização e as transformações políticas e econômicas de cada localidade. Assim, comprovou que a ocorrência da fome e da desnutrição da população não tinha relação com fatores naturais, mas sim políticos, sendo necessária a adoção de políticas de distribuição alimentar e a implantação da reforma agrária.

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domingo, 5 de outubro de 2014

Manuel Correia De Andrade & Outros - Josué De Castro E O Brasil














O Seminário Josué de Castro e o Brasil foi promovido pelo Centro Josué de Castro de Estudos e Pesquisas e pela Fundação Perseu Abramo em Recife. Durante uma semana (comemorativa dos 55 anos do livro Geografia da fome), especialistas das mais diversas áreas e instituições reafirmaram a atualidade de Josué de Castro e de sua obra. Com a decisão de tentar traduzi-los nos seus amplos significados, tão nítidos quanto profundos, mantiveram-se previsivelmente em torno de um eixo, uma base, um tema plural: o combate à fome. Complexo e atual, inexplicavelmente até então restrito a grupos como o reunido na capital pernambucana, o assunto confunde-se com o próprio Josué de Castro. Agora, ambos encontram-se na ordem do dia, graças à nova configuração política anunciada para o país com o governo que se iniciou em 2003, pela primeira vez coordenado pelo Partido dos Trabalhadores. Pelo que se pode depreender deste contexto, parece enfim chegado o momento de concretizar projetos, com a esperada e imprescindível compreensão do fenômeno. Alimento mata a fome, não o problema.

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