O presente estudo pretende avaliar o sentido e a medida da relação possível entre filosofia e literatura em e a partir de dois pensadores de referência da contemporaneidade, Maurice Blanchot e Paul Ricoeur. Partindo-se do pressuposto de que ambas representam o esforço humano de tocar e configurar um fundo essencial que parece escapar a uma captação imediata – ainda que genericamente se considere que a filosofia o faz através do discurso conceptual/crítico e a literatura através do discurso metafórico/poético – o problema central a que procuramos responder é o de saber se, nessa tentativa, as referidas atividades poderão ou deverão aproximar-se, especialmente a primeira em relação à segunda. Tal problema dissemina-se inevitavelmente num conjunto de questões que nos propomos pensar a partir dos referidos autores: pode a literatura, na sua especificidade, abrir novas possibilidades de expressão ou mediação de um ser ou de um neutro que nos antecede e, assim, assumir-se como locus privilegiado de (convocação da) reflexão filosófica? Será filosoficamente desejável, ou até inevitável, uma aproximação à literatura? Ou, mais radicalmente, será sustentável a defesa de uma delimitação clara entre filosofia e literatura?
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sábado, 5 de março de 2016
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Maurice Blanchot - O Livro Por Vir
Com um saber apaixonado e ansioso, Blanchot nos fala de Proust, de
Artaud, de Broch, de Musil, de Henry James, de Samuel Beckett, de
Mallarmé, de diversos autores e mesmo daquele que será, um dia, o último
escritor. Mas talvez, mais de que autores e de livros, trata-se aqui do
movimento de onde vêm todos os livros e que detém, de maneira ainda
oculta, o porvir da comunicação e a comunicação como porvir. O segredo
da literatura, a literatura como exigência e como sentido, assim como
seu caminho futuro, estão no centro dessas pesquisas.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Maurice Blanchot - Foucault Como O Imagino
O leitor que avançar desprevenidamente nas primeiras linhas deste curto texto de Maurice Blanchot poderá muito depressa aperceber-se do essencial. E o essencial é: que há um mistério (não diria tanto: uma prega, uma dobra, uma ruga, um estremecimento, uma convulsão) nesta escrita. Não se trata de coisas escondidas, e por uma razão demasiado simples: não há onde esconder. Isto é, aparentemente esta escrita não tem qualquer interioridade, não há nela um dentro dela (nenhuma caverna, nenhum nicho, nenhum fundo falso, nenhuma cripta, nenhum mapa da ilha) para ocultar seja o que for. Desenrola-se aos nossos olhos numa transparência irrepreensível - e alguns foram ao ponto de fazer ouvir através de um nome (Blanchot, blanche eau) a brancura sem cor de uma água inverossimilmente pura. O mistério vem do modo como se desenrola - demasiado claro, quase inocente, para ser verdade. Tão claro, tão dócil, tão neutro, tão distraído de si mesmo, que por vezes nos assusta. Não há drama nesta escrita.
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