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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Edmund Husserl - Renovação: Seu Problema E Método














Renovação é o grito de chamada geral no nosso doloroso presente, e é-o no domínio de conjunto da cultura europeia. A guerra, que devastou a Europa desde o ano de 1914 e que, desde 1918, apenas preferiu, em vez dos meios de coação militares, os meios “mais refinados” das torturas da alma e das misérias econômicas moralmente depravantes, pôs a descoberto a íntima inverdade, a ausência de sentido desta cultura. Todavia, esta descoberta significa precisamente a obstrução da sua força impulsora mais própria. Uma nação, uma humanidade vive e cria na plenitude das forças quando é transportada por uma crença impulsionadora em si mesma e num sentido belo e bom da sua vida de cultura; quando, por conseguinte, não simplesmente vive, mas antes vive ao encontro de uma grandeza que tem diante dos olhos e encontra satisfação no seu sucesso progressivo, pela realização de valores autênticos cada vez mais elevados. Ser um membro importante de uma tal humanidade, colaborar numa tal cultura, contribuir para os seus valores exaltantes, é a ventura de todos aqueles que são excelentes, a qual os eleva acima das suas preocupações e infortúnios individuais.

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Edmund Husserl - Conferências De Paris















Edmund Husserl não apresenta aqui um ’manifesto’ da fenomenologia, mas antes um panorama sintético do seu trabalho filosófico até então desenvolvido. As Conferências de Paris, pronunciadas na Sorbona, a convite da Académie Française, a 23 e 25 de Fevereiro de 1929, expõem, de facto, as linhas mestras da sua reflexão fenomenológica. São, por um lado, um tributo a Descartes, que ajudou o autor a chegar à sua descoberta da transcendentalidade do ego; e, por outro, ofereceram-lhe a ocasião para assinalar as diferenças relativamente ao sistema cartesiano, que não seguiu até ao fim o ímpeto inovador que o inspirava e movia. Traduzem um radicalismo semelhante: nada mais nada menos do que instaurar um começo absoluto da filosofia, em vista da unidade universal das ciências. Palpita nelas um impulso, de certo modo, espiritual, pois se busca a plena responsabilidade do filosofar na demanda de uma sabedoria universal, no abandono de todos os conhecimentos pressupostos e garantidos, na indagação das evidências derradeiras, as quais servirão, depois, para a fundamentação do sistema de saberes e dos valores, além da instituição e do pressuposto de uma comunidade noética de empenhamento veritativo. Por isso, os grandes temas husserlianos vão assomando, à medida que o discurso avança: a epoché ou a suspensão da atitude natural perante o mundo, a redução fenomenológica, a intencionalidade da consciência, a relação com o mundo e o significado deste, a questão do solipsismo, o difícil problema da intersubjectividade e muitos outros. O texto presente é uma espécie de corte transversal na obra de Husserl até então realizada: vemos os temas, o seu esforço por uni-los, os espinhosos problemas que surgem em virtude da solução proposta, as virtualidades que se insinuam... Estes e outros aspectos traçam um perfil excepcional de um pensamento em acção, sempre aquém da promessa que o anima, mas lucidamente mergulhado numa intenção de rigor e de profunda honestidade intelectual.
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Edmund Husserl - Da Lógica Dos Sinais














Conceitos, conteúdos, podem-nos ser dados de duplo modo: primeiro, de um modo próprio, isto é, como aquilo que eles são; segundo, de um modo impróprio ou simbólico, isto é, pela mediação de sinais, que são eles mesmos representados propriamente. Assim, por exemplo, cada representação intuitiva na sensação ou na fantasia é uma representação própria, na medida em que não nos serve de sinal de uma outra; se o fizer, porém, então é, relativamente a esta, uma representação simbólica. A palavra sinal, como aqui a definimos, deve ser tomada no sentido mais amplo que é possível conceber. Não nos limitamos, pois, aos sinais sensíveis exteriores que associamos às coisas, a fim de mais facilmente as distinguirmos e reconhecermos. Desse gênero são os nomes próprios como Pedro e João; o mesmo se diga dos nomes das entidades abstratas. Mas também os nomes gerais são sinais. Todo o nome geral é um sinal de uma representação geral, e esta por sua vez é um sinal de cada um dos objetos que são subsumidos sob o conceito abstracto correspondente; assim, cada nome geral é, nesta mediação, um sinal de cada um dos objetos que abarca, graças à sua "co-assinalação".

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domingo, 28 de agosto de 2016

Edmund Husserl - A Crise Da Humanidade Européia E A Filosofia
















Etimologicamente a palavra fenomenologia significa “ciência” ou “teoria” dos fenômenos. O termo fenomenologia, a partir de seu étimo, também foi usado em contexto não filosófico. O filósofo positivista Ernst Mach (1838-1916), predecessor do “Círculo de Viena”, postulou uma “fenomenologia física geral”. No século XX Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) designa de fenomenologia o estudo de uma dialética da natureza centrada no homem (Le phénomène humain), estabelecendo em torno dele uma ordem coerente entre os diversos elementos do universo. Na filosofia, antes de Husserl, Lambert utilizou a palavra, no século XVIII, na quarta parte do Neues Organon (1764), que intitulou “fenomenologia ou teoria da aparência ilusória a suas variedades”, para fundamentar o saber empírico. Numa carta a Marcus Hertz (25-2-1772), Emmanuel Kant anuncia seu propósito de escrever uma obra sobre os limites da razão e da sensibilidade. Pretendia escrever uma “fenomenologia geral” como propedêutica à metafísica, mostrando os limites entre o mundo sensível e o mundo inteligível, propósito que realiza na “estética transcendental” da Crítica da razão pura (1781).

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terça-feira, 29 de março de 2016

Juliana Missaggia - Por Uma Fenomenologia Encarnada: Corpo E Intersubjetividade Em Husserl














As questões que são analisadas nesse estudo – o desenvolvimento da noção de corpo e a abertura à intersubjetividade – mostram que ler Husserl como um idealista vinculado aos termos da filosofia moderna, como é ainda comum entre os intérpretes, não dá conta da amplitude de seu pensamento. Quando investigamos tais temas, muitos dos quais foram desenvolvidos em obras publicadas apenas postumamente, podemos constatar que a fenomenologia husserliana foi precursora de diversas questões fundamentais da filosofia contemporânea, incluindo aquelas desenvolvidas mais amplamente a partir do desdobramento da tradição fenomenológica através de outros pensadores, como Heidegger e Merleau-Ponty. O foco desse livro, portanto, é a fase “tardia” da filosofia husserliana, de modo que nos centramos nas obras produzidas a partir dos anos 30, além de alguns dos manuscritos do filósofo recentemente editados e publicados. Não se limitando, no entanto, a uma defesa do pensamento husserliano, esse estudo pretende apresentar uma avaliação crítica do modo como o fenomenólogo desenvolve os conceitos de corpo e intersubjetividade, tanto no sentido de reconhecer sua originalidade e dificuldades, como na busca por indicar alguns dos limites do projeto fenomenológico enquanto filosofia transcendental.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Edmund Husserl - A Idéia Da Fenomenologia














Contrariamente a todas as tendências no mundo intelectual de sua época, Husserl quis que a filosofia tivesse as bases e condições de uma ciência rigorosa. Porém, como dar rigor ao raciocínio filosófico em relação a coisas tão cambiantes e variáveis como as coisas do mundo real? O êxito do método científico está em que ele pode estabelecer uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre uma outra realidade. Para evitar que a verdade filosófica também fosse provisória, a solução, para Husserl, é que ela deveria referir-se às coisas como se apresentam na experiência de consciência, estudadas em suas essências, em seus verdadeiros significados, de um modo livre de teorias e pressuposições, despidas de seus acidentes próprios do mundo real, do mundo empírico objeto da ciência. Buscando restaurar a "lógica pura" e dar rigor à filosofia, argumenta a respeito do principio da contradição na Lógica.

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