O estudo apresentado neste livro trata da relação entre Lógica e
Psicologia e parte da questão apresentada na obra Ensaio de Lógica
Operatória de Jean Piaget (1896-1980): "[...] como se constituem as
estruturas elementares de classes, de relações, de números, de
proposições, etc., formalizadas com toda independência e autonomia pelo
lógico e [...] quais são suas relações com as 'operações' do pensamento
'natural', muito mais pobre e não formalizado.". Os autores Rafael dos Reis Ferreira e Ricardo Pereira Tassinari
observam que nessa questão, Piaget pressupõe que as operações
lógico-formais estão vinculadas a um sujeito. O que interessa ao
pensador francês é a compreensão de como se formam as estruturas
necessárias ao conhecimento lógico-matemático e como isso é possível a
partir do desenvolvimento psicológico. Eles mostram que, apesar de recorrer à Psicologia, trata-se no
contexto dessa investigação de Piaget, fundamentalmente, de um interesse
filosófico, relacionado à Teoria do Conhecimento e à Epistemologia,
particularmente ao que o francês chama de Epistemologia Genética, e não
propriamente uma investigação de pura Psicologia. A questão da relação entre Lógica e Psicologia estudada nesse livro é
basicamente de como o sujeito epistêmico usa e se torna capaz de usar
funções proposicionais para estruturar a realidade e produzir
conhecimento sobre ela. A obra inicia-se com a contextualização do pensamento de Piaget no
âmbito das discussões filosóficas e os pressupostos gerais da
Epistemologia Genética e suas relações com a Psicologia Genética. O
segundo capítulo é dedicado a algumas das discussões de princípios
realizadas por Piaget no Ensaio, acerca do objeto e da definição da
Lógica Operatória. No capítulo seguinte, os autores procuram responder à
questão central do estudo, focando a análise sobre o conceito de função
proposicional para Piaget e a relação desta com o seu correspondente
psicológico, o esquema conceitual.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Carla Luciane Blum Vestena - Piaget E A Questão Ambiental
Em uma época em que questões sobre clima e sustentabilidade
adquirem evidência inédita, Piaget e a questão ambiental vem contribuir
para a discussão sobre a consciência ecológica e a Educação Ambiental
para estudantes do ensino fundamental. A obra desenvolve temas
concernentes a aprendizagem, moral e relação do homem com a natureza,
além de expor o resultado de investigação científica desenvolvida pela
autora, a pedagoga Carla Luciane Blum Vestena. Por meio de uma ampla
pesquisa psicogenética aplicada a 240 crianças e adolescentes de 8 a 14
anos, a autora buscou relacionar o conhecimento deles sobre o meio
ambiente e o juízo moral ambiental. Também testou a influência que
fatores como faixas etárias dos estudantes e propostas pedagógicas das
escolas podem exercer sobre a formação da consciência dos alunos e suas
ações em favor do meio ambiente. Uma das conclusões do estudo é
que crianças e adolescentes obtêm juízo moral ambiental, desde que as
escolas lhes forneçam um espaço propício a cooperação, autonomia,
desenvolvimento da afetividade e conhecimentos das questões do meio
ambiente.
A obra é voltada principalmente para a ação docente e apresenta-se como referência a gestores, pesquisadores e pedagogos, além de interessados na área de Educação, principalmente a Ambiental.
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Jean Piaget - Sabedoria E Ilusões Da Filosofia
Dizer que esta obra se me impôs como um dever seria pretensioso, mas o foi, pelo menos, em virtude de uma exigência cada vez mais constrangedora. Sua tese é simples e, em certos meios, banal: a de que filosofia, de acordo com o grande nome que recebeu, constitui uma ―sabedoria‖ indispensável aos seres racionais para coordenar as diversas atividades do homem, mas que não atinge um saber propriamente dito, provido das garantias e dos modos de controle que caracterizam o que se denomina ―conhecimento‖. Mas se vivi confortavelmente com tal crença, como todos os que permanecem à margem da filosofia, mesmo sendo seduzidos por ela, pareceu-me que se tornava necessário justificar explicitamente e mesmo proclamar essa tese, em vista dos abusos cotidianos aos quais seu não reconhecimento conduz. No término de uma carreira de psicólogo e de epistemologista, durante a qual mantive as melhores relações com os filósofos que me honraram muitas vezes com uma amizade e confiança cujo alto preço bem conheço, 1 vivi quase dia após dia os conflitos que retardam o desenvolvimento de disciplinas que pretendem ser científicas. Cheguei à convicção de que, sob o conjunto extremamente complexo de fatores individuais ou coletivos, universitários ou ideológicos, epistemológicos ou morais, históricos ou atuais, etc., que intervêm em cada um desses conflitos, se reencontra em definitivo sempre o mesmo problema e sob formas que me parecem decorrer da simples honestidade intelectual: em que condições se tem o direito de falar de conhecimento e como salvaguardá-lo contra os perigos interiores e exteriores que não cessam de ameaçá-lo? Ora, quer se trate de tentações interiores ou de coações sociais de toda espécie, esses perigos perfilam-se todos em torno de uma mesma fronteira, surpreendentemente móvel ao longo das idades e das gerações, mas não menos essencial para o futuro do saber: aquela que separa a verificação da especulação.
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Jean Piaget - O Estruturalismo
Se a história do estruturalismo científico já é longa, a lição a se
tirar desse livro é que ele não poderia se tratar de uma doutrina ou de
uma filosofia, sem o que teria sido bem depressa ultrapassado, mas
essencialmente de um método com tudo o que esse termo implica de
tecnicidade, obrigações, honestidade intelectual e progresso nas
sucessivas aproximações.
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