Na França, nas décadas anteriores à Revolução Francesa,
Jean Calas, um comerciário protestante da cidade de Toulouse, foi
acusado de assassinar o filho, que queria se converter ao catolicismo. A
sentença foi a pena de morte, e a execução – no suplício da roda, sob
tortura – ocorreu em 1762. Voltaire, convencido da inocência do
condenado, denunciou a injustiça e escreveu Tratado sobre a tolerância,
texto com o qual iniciou uma campanha para sua reabilitação. O caso
ganhou proporções enormes, transformando-se numa triste metáfora dos
conflitos religiosos que há séculos grassavam no país. Graças à
repercussão deste libelo, em 1765, Jean Calas foi postumamente
inocentado. Com uma ironia ferina e seu estilo
inimitável, o filósofo iluminista faz um apelo em prol do respeito aos
credos e da liberdade religiosa. Escrito em 1763, Tratado sobre a tolerância
revela-se hoje, dois séculos e meio depois, uma reflexão atualíssima
sobre o sistema judiciário, sobre a responsabilidade dos juízes e sobre
os efeitos perversos que as leis podem ter.
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sábado, 26 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Voltaire - Cândido, Ou O Otimismo
Até ser expulso de um lindo castelo na Westfália, o jovem Cândido
convivia com sua amada, a bela Cunegunda, e tinha a felicidade de ouvir
diariamente os ensinamentos de mestre Pangloss, para quem “todos os
acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis”. Apesar da crença absoluta na doutrina panglossiana, do primeiro
ao último capítulo, Cândido sofre um sem-fim de desgraças: é expulso do
castelo; perde seu amor; é torturado por búlgaros; sobrevive a um
naufrágio para em seguida quase perecer em um terremoto; vê seu querido
mestre ser enforcado em um auto da fé; é roubado e enganado sucessivas
vezes. Cândido só começa a desconfiar do otimismo exacerbado de seu mestre
quando ele próprio e todos os que cruzam seu caminho dão provas
concretas que o melhor dos mundos possíveis vai, na verdade, muito mal. Cândido, ou o Otimismo é um retrato satírico de seu tempo.
Escrito em 1758, situa o leitor entre fatos históricos como o terremoto
que arrasou Lisboa em 1755 e a Guerra dos Sete Anos (1756-63), enquanto
critica com bom-humor as regalias da nobreza, a intolerância religiosa e
os absurdos da Santa Inquisição. Já o caricato mestre Pangloss é uma
representação sarcástica da filosofia otimista do pensador alemão
Gottfried Leibniz (1646-1716).
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Baixe a versão em inglês aqui.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Voltaire - Breves Contos I
Em Breves Contos I foram reunidos oito textos de Voltaire. São curtos,
mas contêm todo o estilo inigualável do filósofo. O espírito crítico,
com a peculiar ironia e irreverência do autor estão presentes em todos
eles, lado a lado com as suas profundas e atraentes reflexões. “Aventura da Memória” contém uma apologia da teoria na qual se defende
que nossos conhecimentos decorrem da experiência; é também uma crítica à
teoria cartesiana das idéias inatas. “O Sonho de Platão” traz algumas idéias do filósofo grego, em que ele
sonha sobre a criação do mundo pelo grande Demiurgo e os equívocos
cometidos pelos gênios que receberam a incumbência de adaptar parte do
universo às suas próprias concepções. “Carta de um Turco” é uma crítica aos ascetismo cristão e ao misticismo oriental. “Pequena Digressão” e “Aventura Indiana” são dois capítulos de uma obra
maior: “O Filósofo Ignorante”. O primeiro conto trata da cegueira, o
segundo trata da insatisfação das plantas, dos animais e dos homens com
sua própria natureza. “Elogio Histórico da Razão” traz uma crítica aos homens que se deixam
dirigir por inúmeros impulsos, inclusive os mais cruéis, e não se
aproximam da Razão. “O Carregado Zarolho” e “Cosi-Sancta” são trabalhos de 1747. Demonstram
profunda influência de Boccaccio, cuja obra fizera muito sucesso na
França do século XVI.
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Voltaire - Breves Contos II
Nesta coletânea, temos quatro contos em que Voltaire discute questões
fundamentais do conhecimento e comportamento humanos, com a sua habitual
profundidade filosófica. Como sempre, as críticas severas, a ironia e o
sarcasmo estão presentes. Costumes, crenças, autoridades são todos
ridicularizados. “Memnon” relata a história de um homem que teve a ousadia de se tornar
perfeito. Voltaire, com todo o seu sarcasmo, demonstra o quão insensata é
essa tentativa. “Os Dois Consolados” é um pequeno apólogo, onde o autor mostra como se é
possível ficar consolado dos problemas da vida, analisando-se as dores
ainda maiores de outros. Sem dúvida, extremamente irônico. Em “História das Viagens de Scarmentado” o herói viaja por inúmeros
países, mostrando que os homens são os mesmos em todos os cantos da
terra. “História de um Brâmane” (1759), se desenvolve explorando contrastes com
que Voltaire consegue desmoralizar a especulação metafísica. O brâmane é
um dos personagens preferidos do autor, presente em quase todas as suas
obras. São textos que merecem ser lidos, nos ensinam, fazem-nos pensar e, principalmente, sorrir.
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Voltaire - Breves Contos III
Aqui estão três dentre os mais conhecidos contos de Voltaire. São textos
críticos mas não tão irônicos e sarcásticos como os de outras obras. A
preocupação maior parece fixar-se no estilo, na análise de contradições
filosóficas e na pregação moral. Em “O Branco e o Preto” Voltaire não se mostra tão crítico em relação às
idéias e instituições. O conto vale pelo estilo, que lembra o romance
oriental. No conteúdo, a discussão principal se refere às diferenças e
similitudes entre o sonho e a realidade. “Jeannot e Colin” é menos um conto crítico que moral. A história envolve
dois amigos que se separam após o enriquecimento repentino de Jeannot,
que a partir de então despreza o antigo companheiro. Mas a fortuna se
esvai rapidamente. Colin aceita tornar à antiga amizade, compreendendo
que a felicidade está no trabalho e na generosidade. “Pot-pourri” mostra o Voltaire agressivamente crítico. Ataca várias
religiões e culturas, os filósofos, a ganância e a especulação, a
vaidade e o egoísmo.
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
Voltaire - Zadig Ou O Destino
O impacto da tradução de As mil e uma noites para
o francês no início do século XVIII foi tal que desencadeou uma onda de
histórias de inspiração oriental, das quais fazem parte Zadig ou o destino.
Ambientada na paisagem árida e bela do deserto, passando pelo reino da
Babilônia, pelos confins do Egito e da Síria, a jornada do filósofo
Zadig – palavra de origem semítica que significa “justo”, “verídico” –
cativa desde o início pelo estilo da narração tal qual Sherazade: de
coração sincero e nobre, Zadig está para se casar com Semira, o melhor
partido da Babilônia, mas uma tragédia chega para acabar com seus
planos. A partir desse ponto, em cada novo capítulo o desafortunado
homem tenta ir contra seu destino, buscando, por meios tortuosos,
alcançar a felicidade. Publicado pela primeira vez em 1747 sob o título de Memnon e somente um ano depois com o título mais conhecido, Zadig
é uma grande crítica aos costumes e às crenças da época de Luís XV e um
exemplo da espirituosidade de Voltaire ao retratar um homem que é refém
da própria sorte.
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