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sábado, 26 de dezembro de 2015

Voltaire - Tratado Sobre A Tolerância














Na França, nas décadas anteriores à Revolução Francesa, Jean Calas, um comerciário protestante da cidade de Toulouse, foi acusado de assassinar o filho, que queria se converter ao catolicismo. A sentença foi a pena de morte, e a execução ­– no suplício da roda, sob tortura – ocorreu em 1762. Voltaire, convencido da inocência do condenado, denunciou a injustiça e escreveu Tratado sobre a tolerância, texto com o qual iniciou uma campanha para sua reabilitação. O caso ganhou proporções enormes, transformando-se numa triste metáfora dos conflitos religiosos que há séculos grassavam no país. Graças à repercussão deste libelo, em 1765, Jean Calas foi postumamente inocentado. Com uma ironia ferina e seu estilo inimitável, o filósofo iluminista faz um apelo em prol do respeito aos credos e da liberdade religiosa. Escrito em 1763, Tratado sobre a tolerância revela-se hoje, dois séculos e meio depois, uma reflexão atualíssima sobre o sistema judiciário, sobre a responsabilidade dos juízes e sobre os efeitos perversos que as leis podem ter.

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Voltaire - Cândido, Ou O Otimismo














Até ser expulso de um lindo castelo na Westfália, o jovem Cândido convivia com sua amada, a bela Cunegunda, e tinha a felicidade de ouvir diariamente os ensinamentos de mestre Pangloss, para quem “todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis”. Apesar da crença absoluta na doutrina panglossiana, do primeiro ao último capítulo, Cândido sofre um sem-fim de desgraças: é expulso do castelo; perde seu amor; é torturado por búlgaros; sobrevive a um naufrágio para em seguida quase perecer em um terremoto; vê seu querido mestre ser enforcado em um auto da fé; é roubado e enganado sucessivas vezes. Cândido só começa a desconfiar do otimismo exacerbado de seu mestre quando ele próprio e todos os que cruzam seu caminho dão provas concretas que o melhor dos mundos possíveis vai, na verdade, muito mal. Cândido, ou o Otimismo é um retrato satírico de seu tempo. Escrito em 1758, situa o leitor entre fatos históricos como o terremoto que arrasou Lisboa em 1755 e a Guerra dos Sete Anos (1756-63), enquanto critica com bom-humor as regalias da nobreza, a intolerância religiosa e os absurdos da Santa Inquisição. Já o caricato mestre Pangloss é uma representação sarcástica da filosofia otimista do pensador alemão Gottfried Leibniz (1646-1716).

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terça-feira, 30 de junho de 2015

Voltaire - Breves Contos I














Em Breves Contos I foram reunidos oito textos de Voltaire. São curtos, mas contêm todo o estilo inigualável do filósofo. O espírito crítico, com a peculiar ironia e irreverência do autor estão presentes em todos eles, lado a lado com as suas profundas e atraentes reflexões. “Aventura da Memória” contém uma apologia da teoria na qual se defende que nossos conhecimentos decorrem da experiência; é também uma crítica à teoria cartesiana das idéias inatas. “O Sonho de Platão” traz algumas idéias do filósofo grego, em que ele sonha sobre a criação do mundo pelo grande Demiurgo e os equívocos cometidos pelos gênios que receberam a incumbência de adaptar parte do universo às suas próprias concepções. “Carta de um Turco” é uma crítica aos ascetismo cristão e ao misticismo oriental. “Pequena Digressão” e “Aventura Indiana” são dois capítulos de uma obra maior: “O Filósofo Ignorante”. O primeiro conto trata da cegueira, o segundo trata da insatisfação das plantas, dos animais e dos homens com sua própria natureza. “Elogio Histórico da Razão” traz uma crítica aos homens que se deixam dirigir por inúmeros impulsos, inclusive os mais cruéis, e não se aproximam da Razão. “O Carregado Zarolho” e “Cosi-Sancta” são trabalhos de 1747. Demonstram profunda influência de Boccaccio, cuja obra fizera muito sucesso na França do século XVI.

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Voltaire - Breves Contos II














Nesta coletânea, temos quatro contos em que Voltaire discute questões fundamentais do conhecimento e comportamento humanos, com a sua habitual profundidade filosófica. Como sempre, as críticas severas, a ironia e o sarcasmo estão presentes. Costumes, crenças, autoridades são todos ridicularizados. “Memnon” relata a história de um homem que teve a ousadia de se tornar perfeito. Voltaire, com todo o seu sarcasmo, demonstra o quão insensata é essa tentativa. “Os Dois Consolados” é um pequeno apólogo, onde o autor mostra como se é possível ficar consolado dos problemas da vida, analisando-se as dores ainda maiores de outros. Sem dúvida, extremamente irônico. Em “História das Viagens de Scarmentado” o herói viaja por inúmeros países, mostrando que os homens são os mesmos em todos os cantos da terra. “História de um Brâmane” (1759), se desenvolve explorando contrastes com que Voltaire consegue desmoralizar a especulação metafísica. O brâmane é um dos personagens preferidos do autor, presente em quase todas as suas obras. São textos que merecem ser lidos, nos ensinam, fazem-nos pensar e, principalmente, sorrir.

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Voltaire - Breves Contos III














Aqui estão três dentre os mais conhecidos contos de Voltaire. São textos críticos mas não tão irônicos e sarcásticos como os de outras obras. A preocupação maior parece fixar-se no estilo, na análise de contradições filosóficas e na pregação moral. Em “O Branco e o Preto” Voltaire não se mostra tão crítico em relação às idéias e instituições. O conto vale pelo estilo, que lembra o romance oriental. No conteúdo, a discussão principal se refere às diferenças e similitudes entre o sonho e a realidade. “Jeannot e Colin” é menos um conto crítico que moral. A história envolve dois amigos que se separam após o enriquecimento repentino de Jeannot, que a partir de então despreza o antigo companheiro. Mas a fortuna se esvai rapidamente. Colin aceita tornar à antiga amizade, compreendendo que a felicidade está no trabalho e na generosidade. “Pot-pourri” mostra o Voltaire agressivamente crítico. Ataca várias religiões e culturas, os filósofos, a ganância e a especulação, a vaidade e o egoísmo.

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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Voltaire - Zadig Ou O Destino














O impacto da tradução de As mil e uma noites para o francês no início do século XVIII foi tal que desencadeou uma onda de histórias de inspiração oriental, das quais fazem parte Zadig ou o destino. Ambientada na paisagem árida e bela do deserto, passando pelo reino da Babilônia, pelos confins do Egito e da Síria, a jornada do filósofo Zadig – palavra de origem semítica que significa “justo”, “verídico” – cativa desde o início pelo estilo da narração tal qual Sherazade: de coração sincero e nobre, Zadig está para se casar com Semira, o melhor partido da  Babilônia, mas uma tragédia chega para acabar com seus planos. A partir desse ponto, em cada novo capítulo o desafortunado homem tenta ir contra seu destino, buscando, por meios tortuosos, alcançar a felicidade. Publicado pela primeira vez em 1747 sob o título de Memnon e somente um ano depois com o título mais conhecido, Zadig é uma grande crítica aos costumes e às crenças da época de Luís XV e um exemplo da espirituosidade de Voltaire ao retratar um homem que é refém da própria sorte.

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